sábado, 28 de novembro de 2009
Clarice Lispector
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
Rasga o coração
Rasga-o, que hás de ver
Lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz
De lágrimas chorar
Anjos a cantar preces divinais
Deus a ritmar seus pobres ais
Sorve todo o olor que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer
E que não pode a tia dizer nas palpitações
Ouve-o brandamente, docemente a palpitar
Casto e purpural num treno vesperal
Mais puro que uma cândida vestal
Hás de ouvir um hino
Só de flores a cantar
Sobre um mar de pétalas
De dores ondular
Doido a te chamar, anjo tutelar
Na ânsia de te ver ou de morrer
Anjo do perdão! Flor vem me abrir
Este coração na primavera desta dor
Ao reflorir mago sorrir nos rubros lábios teus
Verás minha paixão sorrindo a Deus
Palma lá do Empíreo
Que alentou Jesus na cruz
Lírio do martírio
Coração, hóstia de luz
Ai crepuscular, túmulo estelar .
Vicente Celestino
Acalanto para um punhal
Dorme punhal, coração
Ponta de sal na raiz dos gemidos
Arma branca das trevas
Invejará o ardor
Do teu aço na flor
Que esconde a beleza em profundas crateras.
Sangue na prata da lua
Fere a paixão no capim
Mancha o leito carmim
Clarão, violão
Mesmo sol de granada.
Acordarás com meu grito
Rasga o silêncio do amor
Mancha o leito de dor
Punhal, coração
Amanhece a campina.
Fagner
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Abat-Jour
(Outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei ... Era dia
E longe de aqui...
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar...
Fernando Pessoa
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Thiago Mello
Santiago do Chile, abril de 1964
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Organum / O Órgão
A Creatore exemplum capiens
e levi ligno arcam musicam
peritus ille fecit opifex.
Una cum cedro incorruptibili
inclusa mens remansit avium;
et cum obscura e silvis tabula
remissa lumina lampyridum;
et cum radice pini altissimae
odores malvae et musci teneri.
Illicne silva an carcer volucrum?
Qui favus ille resonans antiquo fremitu
quae crista florum turgida
et quae nunc fluitans aqua intra ventorum lineas!
Firmis sub digitis artificis
personant cantus plenitudine.
(Dum silva fremit in reconditis
tum et aperta fiunt lucida.)
Et inauditum meios fulgidum
ab alvo ligni sicca defluens
leves in rores it diluculi.
José Lourenço de Oliveira
Tradução:
A exemplo do Criador,
plasmou o Artista, em madeira,
sua caixa de música.
E com o cedro incorruptível,
veio a lembrança dos pássaros.
E com o negro jacarandá,
um revérbero de vagalumes.
E com as raízes do alto pinheiro,
o odor da malva e do musgo.
Arvoredo ou jaula?
E esse favo de mel com zumbidos antigos,
e esse tufo de orquídeas em rapto,
e a água que escorre nos desenhos do vento?
As mãos poderosas do Artista,
soa em plenitude o canto.
(Nos seus recônditos freme
a selva. E são vivas clareiras.)
0 canto que jamais se ouvira.
Do bojo seco da matéria
para as madrugadas do éter.
Henriqueta Lisboa
Fragmento Nº1
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso.
Vladimir Maiakóvski
Freddie Mercury
Freddie Mercury nasceu na cidade de Stone Town, na ilha Zanzibar, à época colônia britânica, hoje pertencente à Tanzânia, na África Oriental. Seus pais, Bomi Bulsara e Jer Bulsara, eram indianos da religião zoroastriana. Mercury foi educado na St. Peter Boarding School, uma escola inglesa perto de Mumbai, na Índia, onde deu seus primeiros passos no âmbito da canção, ao ter aulas de piano. Foi na escola que ele começou a ser chamado "Freddie" e, com o tempo, até os seus pais passaram a chamá-lo assim.
Depois de se formar em sua terra natal, Mercury e família mudaram-se em 1964 para a Inglaterra, devido a uma revolução iniciada em Zanzibar. Ele tinha dezoito anos. Lá diplomou-se em Design Gráfico e Artístico na Ealing Art College, seguindo os passos de Pete Townshend. Esse conhecimento mostrar-se-ia útil depois, ao Freddie projetar o famoso símbolo da banda.
Algo que poucos fãs sabem é que, na escola de artes em que se bacharelou, Freddie era conhecido como um aluno exemplar e muito quieto. Tinha uma personalidade bastante introspectiva. Concluiu os exames finais do curso com conceito A. Possui uma série de trabalhos em arte visual, hoje disponíveis em alguns sítios na internet.
Na faculdade, ele conheceu o baixista Tim Staffell. Tim tinha uma banda na faculdade chamada Smile, que tinha Brian May como guitarrista e Roger Taylor como baterista, e levou Freddie para participar dos ensaios.
Em abril de 1970, Tim deixa o grupo e Freddie acaba ficando como vocalista da banda que passa a se chamar Queen. Freddie decide mudar o seu nome para Mercury. Ainda em 1970, ele conheceu Mary Austin, com quem viveu por cinco anos. Foi com ela que assumiu sua orientação sexual (Freddie era bissexual) e os dois mantiveram forte amizade até o fim de sua vida. Mary inspirou Freddie na música Love of My Life, de acordo com declaração do cantor e de seus companheiros de Banda, sendo Mary acima de tudo o verdeiro amor dele.
No visual de Freddie, há uma mudança que não deixa de ser notada: se, na era Glam dos anos 70, o cabelo comprido, eyliner preto, unhas pintadas , os maillotes de bailado e sapato de tacão alto eram moda, estes iriam dar lugar a uma postura mais "macho": cabedal preto, chapéu de polícia, cabelo curto e meses mais tarde bigode, essa seria a sua imagem de marca na promíscua década de 1980.
Mercury compôs muitos dos sucessos da banda, como Bohemian Rhapsody, Somebody to Love, Love of My Life e We Are the Champions; hinos eloquentes e de estruturação extraordinária, particulares e sempiternos. Suas exibições ao vivo eram lendárias, tornando-se imagem de marca da banda. A facilidade com que Freddie dominava as multidões e os seus improvisos vocais envolvendo o publico no show tornaram as suas turnês um enorme sucesso na década de 1970 e principalmente (enchendo estádios de todo o mundo) nos anos 80.
Estátua de Freddie Mercury em MontreuxLançou dois discos-solo, aclamados pela crítica e pelo público. Em 1991, surgiam rumores de que Mercury estava com AIDS, que se confirmaram em uma declaração feita por ele mesmo em 23 de novembro, um dia antes de morrer, vindo a falecer na noite de 24 de novembro de 1991, em sua própria casa, chamada de Garden Lodge. Sua morte causou repercussão e tristeza em todo o mundo. A casa de Freddie Mercury, passada por testamento à sua ex-namorada, Mary Austin, recebeu muitos buquês de flores na época e continua a receber até hoje.
O corpo de Freddie Mercury foi cremado e por isso infelizmente não existe túmulo para que seus fãs viessem para homenageá-lo.
Em 25 de novembro de 1992, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, com a presença de Brian May, Roger Taylor, da cantora Montserrat Caballé, Jer e Bomi Bulsara (pais de Freddie) e Kashmira Bulsara (irmã de Freddie), em Montreux, na Suíça, cidade adotada por Freddie como seu segundo lar.
Os membros remanescentes do Queen fundaram uma associação de caridade em seu nome, a The Mercury Phoenix Trust, e organizaram, em 20 de abril de 1992, no Wembley Stadium, o concerto beneficente The Freddie Mercury Tribute Concert, para homenagear o trabalho e a vida de Freddie.
O cantor também foi conhecido pelo pseudônimo de Larry Lurex e pelo apelido Mr. Bad Guy.
Freddie Mercury era proprietário da voz, quem sabe, mais lírica - ou, se preferir, forte - de todos os tempos, chegando provavelmente a superar Elvis Presley e John Lennon. Contam alguns que, durante as gravações do álbum Barcelona, Freddie desafiou Montserrat Caballé, a cantora lírica mais conhecida no mundo, para ver quem possuía maior fôlego. Mercury venceu com uma grande vantagem.
Em 1992, dão-se os Jogos Olímpicos de Barcelona, um ano depois da morte de Freddie Mercury, nos quais Montserrat Caballé intrepreta a famosa canção Barcelona (gravada em 1988) num dueto virtual com o cantor falecido. Ainda hoje o dueto é recordado como um marco histórico da música.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Controle nenhum
Ela tem vida própria.
Já tentei prender minha insaciável cobiça
Já tentei controlar minha palavra
O universo do meu vocábulo
Interdizer tudo que ela diz
As vezes tenho vontade de não tê-la:
Vontade.
Fidel
Ela só está com vontade
Quando ela diz que tem vontade de mim
Eu me pergunto se mereço,
Me pergunto se ela está pagando algum preço
Por me querer sem hesitar
Se ela está inebriada, "ilusionada"...
Entediada sem outra opção,
Se ela só está com tesão
Ou se de repente só quer brincar
-"A noite seca, enche a gente de vontades
O dia por si só é uma anestesia
Com seus trâmites irreversíveis".
O que eu estou pensando...
Lhes digo:
Estou pensando em pensar em você!
Ela só tá com vontade de mim.
Fidel
Mãe natureza
A aurora perdura
Cheia de reflexos
Repletos raios de sol
A iluminar o meu ser
Doloroso e carente
Sábia mãe natureza
Que um dia brotou
A lágrima do amor
Da dor
Da perda
Sábia mãe natureza
Que fez nascer
Um sentimento
Um coração
Uma razão
Uma oração
Uma emoção
Uma canção
Salve a vida!
Salve o amor!
Josélia Ferreira
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Cabra cega
Um incêndio na floresta no meio da escuridão
Pra você que mal enxerga
Uma estrela, um vaga-lume numa noite de verão
Pra você que mal enxerga
Uma nave extraterrena vai ser sempre um avião
Um satélite perdido, um delírio coletivo
Um balão de São João
Por isso chega mais pra perto, cabra cega
E pega na minha mão
Tira a venda, enxerga
Abre a janela e os olhos do coração
Sérgio Sampaio
domingo, 22 de novembro de 2009
Sintonia
Escute essa canção
Que é prá tocar no rádio
No rádio do seu coração
Você me sintoniza
E a gente então se liga
Nessa estação...
Aumenta o seu volume
Que o ciúme
Não tem remédio
Não tem remédio
Não tem remédio não...
E agora assim aqui prá nós
Pelo meu nome não me chama
Você é quem conhece mais
A voz do homem
Que te ama...
Deixa eu penetrar
Na tua onda
Deixa eu me deitar
Na tua praia
Que é nesse vai e vem
Nesse vai e vem
Que a gente se dá bem
Que a gente se atrapalha...
Aumenta o seu volume
Que o ciúme
Não tem remédio
Não tem remédio
Não tem remédio não...
E agora assim aqui prá nós
Pelo meu nome não me chama
Você é quem conhece mais
A voz do homem
Que te ama...
Deixa eu penetrar
Na tua onda
Deixa eu me deitar
Na tua praia
Que é nesse vai e vem
Nesse vai e vem
Que a gente se dá bem
Que a gente se atrapalha...
Escute essa canção
Que é prá tocar no rádio
No rádio do seu coração
Você me sintoniza
E a gente então se liga
Nessa estação...
Moraes Moreira
sábado, 21 de novembro de 2009
Quem sabe amanhã
Se meu corpo pudesse agora,
Teletransportaria minh'alma pra junto de ti.
Gostosa!
Fidel
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Toda noite a saudade me visita
Quando vim conhecer a solidão
Meu destino passou pra contra mão
Me perdi dentro em minha própria casa
A angustia podou as minhas asas
Vi um mundo de sonhos triturados
Construí um castelo improvisado
Mas me vi inquilino em palafita
Toda noite a saudade me visita
Pra mostrar mais um filme do passado
(Walmar)
A saudade domina meu querer
Faz-me vivo e presente no passado
Vivo o sonho que nunca foi sonhado
Com Walmar aprendendo a aprender
Apostando na ânsia de vencer
Por “Kalu” foi pra mim apresentado
Um momento por nós já superado
Numa linha por Deus há tempo escrita
Toda noite a saudade me visita
E me mostra esse filme do passado
(Galdêncio Neto)
Quatro horas e um minuto
Quatro horas
Quatro ônibus levando vinte e quatro pessoas
Tristonhas e solitárias
Quatro horas e um minuto
Acendi um cigarro e a cidade pegou fogo.
Cinco horas
Cinco soldados espancando cinco pivetes
Filhos sem pai
E órfãos de pão
Cinco horas e um minuto
Urinei na ponte e inundei a cidade
Sei horas
O Recife reza
E eu voando pra ver Maria.
Miró
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ato impensado
Eu surgi de um ato impensado
De início, fui rejeitado
Envenenado pela covardia da ação
E hoje aqui estou!
Não sei quem sou!
Se sou fruto, não sou verde nem maduro
Sou a fuligem que paira sobre o mundo
Ser! Ser o que?
Sei que sou, mas não queria.
Lima Maurílio
Tecido do prazer
Vesti meu corpo de beleza pra você
Acordei o sol na esperança de na claridade
Alcançar o que meus olhos não conseguem ver.
Como tinta de imagem que é feita pra manchar
Pintei as paredes do destino com teu rosto
Pra encontrar nos findos e infindos amém
Tua face bela, teu corpo, tua imagem ...
E n'um toque de maestro a real beleza
N'uma teia de desejos quero te prender
E revestir o mesmo corpo novamente
Com o tecido infinito de prazer
Minha bela rosa.
Fidel
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O Último Pôr-do-sol

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.
Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois
Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas
Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu.
Lenine
Vende-se amor
De tudo quanto é jeito:
Daquele que dói no peito,
Daquele que faz chorar
Também vende-se amor
Daquele que faz neném
Do gostoso, do dengoso
Tem amor pra todo peito
Do jeito que lhe convém
Pra não ter o que reclamar
Rotulado com pitadas de ciúme
Temperado com desejo,
Que vem com abraço e com beijo
Com aroma de vinho ao ar
Vende-se amor do Japão
Com tecnologia de ponta
Daqueles que desaponta
Um disfarça e faz de conta
E começa a confusão
Pra os que são egoístas
Tem o amor Adão e Eva,
Em formato de injeção
Resolvendo n’um segundo,
Deixando o homem na ilusão
Que só existe ela no mundo
E acaba de chegar
O importado da Bolívia,
Do Iraque, de Israel,
Com gosto de sal ou de mel
Do jeito que você gosta.
De tudo quanto é lugar
Vende-se amor!
Fidel
terça-feira, 17 de novembro de 2009
50 anos sem Villa Lobos
Hoje, faz 50 anos da morte de Villa Lobos.
Segue abaixo o video do especial que a Globo News fez sobre Villa.
Villa Lobos no Wiki
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
FESTIVAL EDÉSIO SANTOS DA CANÇÃO
Músicas classificadas.
1. GLOBO DA MORTE – ZÉ ALEXANDRE – PAULO DELFINO
2. PEIXE ALI NA MESA - SERGIO PASSOS – CARLOS BOCA
3. EU, O SONHO E MARIA – ZECA MOREIRA – MARIO MOREIRA – ROBÉRIO PACHECO – TULIO ARAUJO.
4. ORAÇÃO AO RIO SÃO FRANCISCO – MARCOS CANUDOS
5. MOÇAMBIQUE – BETO SANTOS – DINÁ NASCIMENTO
6. NO CEU DOS VENDAVAIS – BRAULIO VILLARES – ELSON HART
7. CANTIGA DO VENTO – RAFAELA MELLO
8. ANITA HEROINA DE DOIS MUNDOS – CARLOS GOMES
9. ENTRANHAS DO MEU SER - KERÉTO
10. ESTRELA – JOSÉ MANOEL DE CARVALHO
11. UM MUNDO SEM FIM – EUGÊNIO CRUZ
12. CHÃO DO MEU SERTÃO – ANTONIO SABINO MARQUES
13. CONSPIRADORES – WALTER LAGES – MAVIAEL MELO
14. SEGREDOS DA BAHIA - THIAGO MENDES SILVA
15. BELO MONTE – BIÃO DE CANUDOS
16. O XOTE DOS LIVROS - MARCELO CAVAQUINHO
17. ROMEIROS DA LAPA – ANTONIO RUBEM – FRANKLIM MAXADO
18. QUEM DE NÓS! – JUAREZ ROCHA DE OLIVEIRA
19. RIO DE ALGODÃO – LAÉCIO BETHOVEN
20. TANTOS BRASIS – JOÃO ENERGIA
Corpo de Jurados ////// Formação
1 – Dr. José Domingos - Universidade Católica.
2 – Maestro Zeca Freitas - Berklee College of Music – Boston – EUA.
3 – Juliana Leite - Professora de canto UFBA.
4 – Edenivaldo Macedo - Regente da Orquestra de Abaré Bahia.
5 – Ana Paula Albuquerque - Professora de canto UFBA.
Fonte: Site PMJ
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Rosa, vento e verso
Eu já te disse
que as rosas me disseram que só se abrem
quando você chegar.
Eu já te disse
que os ventos me disseram que só mudam
quando você se mudar.
Eu já te disse
que os versos me disseram que só versos serão
quando você conversar.
Eu já te disse
que não vou falar mais nada
enquanto você não me amar.
Deixa, amor...
de ser tão desnaturada,
de ser tão desvairada,
de ser tão absorvida de mim.
Deixa, amor...
de ser tão tudo pra nada,
de ser tão pé na inchada,
deixa tudo e vem ser tudo enfim.
Já não tenho tempo pra mais nada,
vou ser rosa, vento e verso
Sem você verso e reverso
desse mundo e fim de mundo em fim.
Fidel
Têm, mas não chega!
E nos teus, tem saudade pra matar
Tem na distância o suspiro do adeus
Tem no “por deus”, que tu fiques não se vá.
Tem na rádio lá da roça aquele canto,
E no canto da sala sem encanto
Eu coitado à escutar.
Tem um desejo de querência do meu jeito,
Tem na varanda do meu peito
Um varal de se deitar.
Tem no aconchego do meu pensamento
A visão perfeita da tua volta,
E na volta que a vida dá
Aquele riso frouxo, lindo!
Tem n’uma manhã eternizada
Eu sentado na calçada,
Mirando meu pensamento
Que em tu ali morava
Impaciente pra te amar.
Paulinho Jequié / Fidel
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Neto e Mundinho - São Francisco
O meu caminho eu escolho
Tirando o cisco do olho
Enxergo longe, me arrisco
Sou como o Rio São Francisco
Faço no tempo viagens
No espaço da noite e do dia,
Indo, fluindo às margens
De Pernambuco e Bahia
Andando por todos os lados
Sincretizando os Estados
Arrematando as costuras
Na integração das culturas
Assim como o rio promovo
O abraço que a gente precisa
Em busca do que é mais novo
Sim ultrapasso a divisa
Fazendo a ponte, sem medo
Antonio sou brasileiro
João, Geraldo Azevedo
Petrolina e Juazeiro
Por essas águas tão boas
Sou navegante feliz
Sergipes e Alagoas
Minas, imensos brasis
Quem pode parar a planície,
Os rios e os oceanos?
Ah meu amor, acredite
Também assim sem limite
É o sonho dos seres humanos
Quem pode parar o planeta?
E o movimento que há?
Ah meu amor, com cereteza
As forças da natureza
O vento quem pode parar?
Lavam na beira do rio
As lavadeiras de Deus
A alma dos pecadores
E o coração dos ateus.
Moraes Moreira
sábado, 7 de novembro de 2009
Rebuliço da saudade
Nem sei bem o que é,
Tá tudo triste, tudo sem graça
Tudo assim como quem passa
Sem passado pra lembrar.
Tá estranho aqui dentro
E ainda nem sei o que é,
Mistura vontade de ter-te,
Com vontade de querer-te,
E uma vontade de rever-te,
Quiçá te prender
Bem dentro de mim.
Sinto uma dor
Avassalando pensamentos,
Escravizando sentimentos,
E libertando os meus tormentos.
Te juro que neste momento
Eu só quero é voar,
Montar nas asas do vento
E só pousar bem lá dentro
Do teu coração
Paulinho Jequié / Fidel
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Apelido da Paixão
Sua Mãe, de onde vem?
O amor não é ninguém
É só uma invenção,
É o apelido da paixão
Quando o fogo lhe convém
Já não basta a ilusão
De por ele, ser enganado
Já não basta o sofrimento
Que tanto nos tem causado,
Vem a igreja e diz: Amém!
O amor seja louvado!
Mas como todos bem sabem
O que é bom é paixão!
É fogueira de São João
É onde se afoga a mágoa,
Casamento de fogo e água
Felicidade a rojão
Com o tempo passa o tesão
Que nada é para sempre
E aquele fogo ardente
De amor intitulado
Foi o equívoco assinado
Com aliança em cada mão
Fidel
À Cruz
Gravação: Cá de Veinho Estúdio, por Rennan Mendes
Traduziam: Vou te deixar!
“Até logos” de repente,
Somente pra magoar
Minha vontade inocente
Agora já não doe tanto
Só um "bilisquinho" de nada,
Aprendi a ver a estrada
E o futuro a dizer sim,
Com aulas seqüenciais
Todo dia a um pouco mais
Todo dia a um pouco mais
Você ensinou pra mim
Acabei abrindo o olho
Daquele amor que era cego,
Removi todos os pregos
Minha cruz era você
E diga-se de passagem
Era a cruz que eu amava,
Que subia, me pregava
Descia depois voltava
Num vai e volta sem fim
Mas hoje eu quero paz
Não quero mais confusão
De pregos na minha mão
Ou chicotadas a sais,
Quero mesmo é liberdade
O resto não quero mais.
Fidel



















