quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um desconhecido Zé



A postagem da música, poderia muito, ser do Zé Rodrix, mas por uma visão global "no sentido Zé" do que a música abaixo transmite, eu decidi postar uma interpretação de Moacyr Franco da música intitulada "Zé Brasileiro". Um abraço a todos. [Fidel]



Texto por Mauro Bedaque

O Zé Rodrix que morreu na tevê e nos jornais não é o que conheci. Nas reportagens, a vida acabou mais cedo pra ele. Alguns o mataram em 1972, logo após a gravação de Casa no Campo pela Elis Regina. Outros o mantiveram vivo até a época do Joelho de Porco. Aqui e ali, uma pílula sobre a carreira-solo dos anos 70, ou um pitaco sobre o trabalho na Voz do Brasil. Poucos o viram respirando na volta do trio Sá, Rodrix e Guarabyra, no Rock’n’Rio de 2001. Disso em diante, silêncio. Como se nos últimos anos ele houvesse vivido recluso entre livros, discos e só.

Mas, meninos e meninas, tem mais. O Zé de quem me tornei amigo fez tudo isso aí do parágrafo de cima, sim. Só que o epílogo – esquecido por quase todos – foi um dos capítulos mais bonitos da sua biografia. Ele começa no fim do século 20, com o Zé arrasado, numa fossa abissal, após a morte de Tico Terpins, seu sócio na agência Voz do Brasil. Desencantado da vida, da música e da propaganda, não necessariamente nessa ordem. O primeiro túnel nesse fim de luz foi a literatura. Em 1999, Zé lançou o romance Diário de Um Construtor do Templo. O surgimento da maçonaria era o pano de fundo, mas resumir o livro a isso seria limitá-lo demais. E limitar também o escritor, que nos últimos dez anos publicou mais dois volumes, completando a chamada Trilogia do Templo (os outros dois: Zorobabel e Esquin de Floyrac). A volta à música (e à vida) se deu no retorno do trio. Com os camaradas Sá e Guarabyra, irmãos de fé. Disco e DVD lançados, caíram na estrada, percorrendo o Brasil.

A composição de jingles também voltou, assim como a energia para dedicar-se à maçonaria. Nesse meio tempo, Zé tornou-se ainda um polemista famoso, principalmente na internet, defendendo teses na contramão do establishment da classe artística. Como o repúdio ao jabá e ao financiamento público de discos e livros.

Além de retornar ao palco com o trio, Zé Rodrix retomou a carreira de compositor. Isso eu pude acompanhar de perto. Generoso, angariou parceiros musicais na internet (em listas de discussão como a M-Música) e resgatou antigas parcerias. Entre elas, a de Tavito, autor com ele de Casa no Campo e velho camarada dos tempos de Som Imaginário. Dessa safra saíram pérolas como Onde os Anjos Não Ousam Pisar (parceria com Etel Frota), gravada por Nasi. E canções que ainda virão à luz, em discos de outros artistas. A generosidade dele também estendeu-se à obra alheia. Em 2003, Zé conheceu o Clube Caiubi de Compositores – um grupo de absolutos desconhecidos que se reunia em um boteco das Perdizes. Com conselhos aqui, parcerias ali e incentivos acolá, ele ajudou a levar para a frente um projeto que hoje reúne quase quatro mil artistas independentes (clubecaiubi.ning.com) no Brasil e no exterior.

Como todo gênio (e eu não tenho medo de usar o adjetivo), Zé Rodrix era um permanente work in progress. Não descansava. Escrevia o fim de seu quarto romance (que ele chamava de O Cozinheiro do Rei) e preparava o lançamento de mais um disco de músicas inéditas do trio Sá, Rodrix & Guarabyra – que deve sair em breve. Havia montado um show solo com uma big band de jazz, que teve apenas três apresentações, no ano passado. E produzia a própria filha, Bárbara Rodrix, também (excelente) compositora. Nada disso saiu nos jornais, nem passou na tevê. Mas, quem não viu, ouvirá.

Visitem o site do Clube Caiubi de Compositores.

Obrigado, Zés!
[Fonte] http://mtv.uol.com.br/txt/blog

Fogo



Não ouso tocar um corpo em chamas
Que consomem até a alma
De um homem que não quer ter medo
De tocar um corpo frio
Que às vezes dança
Sistematicamente nas nuvens
Corrompendo um sonho
Que não é mais que um sonho
Meu.

João Gilberto Guimarães

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Você


- Cadê você, que ainda vai nascer?

Eu quero você aqui, comigo!
Eu quero falar pra seus ouvidos
Eu quero ter você.
Mas quando você chegar,
Talvez eu já tenha ido
E fica tudo assim, divido.

- Porque você nasceu antes de mim?
Porque tem que ser assim?
Ou melhor, teve que ser assim?
Eu queria ter brincado com você
Quando você corria, sem saber...
Eu queria ter dormido com você,
Eu queria!

Só o tempo é que terá nos vistos...
Ao mesmo tempo!

Nos vagões da vida,
Eu poderia ter  encontrado com você
Em 1957, mas sabe lá o tempo
Onde eu estava.

O tempo.

Fidel

Sérgio Sampaio - Entrevista [Parte 1]

Sérgio Sampaio - Entrevista [Parte 2]

Sérgio Sampaio - Entrevista [Parte 3]

terça-feira, 26 de maio de 2009

Medo



Eu devia ter perdido o medo
quando o teu medo se perdeu pra mim
Não podia ter ficado assim
guardando comigo meu puro segredo
Deveria ter reescrito o enredo
Em um novo ato de aproximação
Teria pintado o teu coração
desenhando arcos de Minas em flores
Entre teus sorrisos tão multicolores
Sendo o Beija-Flor desse teu verão!

Eu podia ter sido mais sincero
E menos severo com todo o meu medo
Deveria ter tocado em teu dedo
Apontando a tecla do tempo que quero
Ter virado os olhos pra o que tanto espero
Eu podia não! Posso e farei!
Pois tudo que sei, é que nada sei
Dizia o poeta da Filosofia
Hoje nasce um verso da minha poesia
Coroando a ti, Rainha Del Rei!

Maviael Melo

Sem Título



De tudo que cultivei
só você não vingou.

Por isso hoje
minha cama é uma catapulta
sempre me arremessando
em mundos desconhecidos.

Meus pensamentos
quando não voam
pela tampa do crânio
escorrem em líquido
pelo pênis
numa masturbação compulsória

Fernando Chile

Carla



Conheci Carla catando lata
seus olhos brilhavam
como alumínio ao sol
São Paulo ardia num calor
de quase quarenta graus
pisou na lata,
como pisam os policiais
nos internos da Febem
jogou no saco
com a precisão
que os internos jogam
monitores dos telhados
e rápido foi embora,
tal qual seqüestro relâmpago
deixando a lembrança de um tempo
que não havia
seqüestros,
Febem,
nem tanta polícia,
muitos menos
catadores de lata

Os olhos de Carla
Nem desse poema precisavam.

Miró

domingo, 24 de maio de 2009

Zabumba Pedrão



Zabumba Pedrão
Na zabumba do tempo
Arma a tocaia
Faz penitência
Que Artur e Cezar ta vindo.

Canudos Belo Monte
Canudos Cocorobó
Canudos Novo, Canudos velho.
Tem um toque
Uma resistência
Um som de zabumba
Um pé de bode
Uma pisada
Barro, chão, poeira e pó.
Na garganta do cocorobó

Uma retirada, batuque,
Marcha, valsa e lundu.
Calumbi, gaita e gaiteiro.
Toques que vem do céu
No rastro da retirada
Uma música
Um toque
Uma zabumba
No vale da morte
Pra acordar Antônios

Rio que nasce
Quer correr
No Badalo do sino
Um arraial
Uma prontidão
Do rio pra cá não passa
Só depois do terceiro fogo
Vai pras mãos do Bom Jesus!
As almas do sertão.

Gildemar Sena

Com o vento



Manhã alegre
Foi assim quando te vi
Lambuzei-me aqui todinho
Como criança no doce
Como se fosse
Inocência de aprendiz
Desde que te vi, te quis
E você nem me olhou

E assim fiquei:

Triste como um triste
Sem ter ninho,
Coração de passarinho
Sem desejo de voar.
Batendo asa tão confusa
E asa voa...,
Feito coração à toa
Sem vontade de sonhar.

Coração que é meu,
Também foi sempre assim,
Feito doer sem ter fim
Fim que doe sem terminar,
Venha qual vento
Venha que eu acerto a proa
Feito canoa que voa
Ventar pro lado de cá.

Victor Fidel / João Sereno / Paulinho Jequié

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Duas Paisagens



São duas lindas irmãs
As águas correm nas veias
Barcos a navegar incenssantes
Alimentar quem vadeia

O meu amor ilumina
A grande ilha sereia
O fogo bate na porta
Amante da vida alheia

Se a tarde cai em seus braços
Duas cidades gorjeiam
O canto rio de flores
No horizonte vagueia.

Victor Fidel / Zecrinha

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Lembre de esquecer



Então fica assim,
Tu me procura amanhã
Depois do amadurecer
Dos teus sonhos,
Quando já estiver certa
Que entendeu essa poesia,
Quando na verdade
Não tiver tido usado a lógica
Para rastrear os versos meus...
Então fica assim,
Segue o teu caminho
Que aqui fico com o
Falso endereço da rua dos sonhos
Mentindo a todo instante
Para o nosso amor
Que hoje, irei lhe visitar

- Então não fica mais
Já entendi toda manha,
Cai de madura e agora
Vou me erguer,
No meu caminho não encontrei você
Agora volto, volto sim
Ao endereço dos sonhos
Pra falar a verdade
E dizer ao nosso amor
Que o nosso querer
Ainda quer...
E assim novamente
Visitar, mas agora eu sei
Agora é pra ficar
Assim seja!

Paulinho Jequié / Victor Fidel

Entre Nuvens



Vou além
do meu eu
para não
ser seu
nem de ninguém
vou além
nada procuro
eu encontro
tudo que mereço
pago o preço
por ser assim
não tenha
pena de mim
vou além
da morte
da sorte
do destino
sou um homem
com alma
de menino
vou além
de mim
muito além
de você
posso te
mostrar
sem você
mesmo ver
vou além
das palavras
sem sentido
dos ídolos
de mente vazia
vou além
dessa romaria
em busca
do nada
vou além
da madrugada
para ver o dia
vou além
da televisão
desta fantasia
vou além
sem disco voador
transportado
pelas asas
do amor.

Charlie Augusto

quarta-feira, 20 de maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Song of Guy - Elton John

Meu a pino!



Caço meu destino
feito um faro fino
em janelas e portais,
caço muito mais
acho meu a pino
feito quem não volta mais

Vejo tão distante aqui
o meu velho menino que sou eu,
vejo tão pertinho, "ó lá!"
o que ainda não sou
onde quero chegar

E nessa busca incessante
para eu me achar, encontro você
atravessando a rua da minha vida
como fruta partida, tem que ver pra crer!

Mudo minha rota, minha outra porta
mudo tudo assim por causa de você
sigo o caminho das pedras,
o caminho do sol, e chego até aqui.

Victor Fidel

terça-feira, 12 de maio de 2009

Até outro dia



Quem manda em mim sou eu
Quem manda em você é você
Por isso eu quero pedir
Pra você se mandar...

Até outro dia, em outro lugar
Silêncio na tarde dos homens
Silêncio que eu quero cantar
Que eu quero mostrar como é
Que eu quero dizer porque foi
Se você não vai, eu já fui, só porque...

Quem manda em mim sou eu
Quem manda em você é você...

Sérgio Sampaio

Nada mais é



Sou rio de prazer
no cacimba do amor,
no espinho da dor
sou a pele em você

As vezes as coisas
parecem estar fora de lugar,
nada mais é do que tudo se ajeitando
pro encontro começar
eu e você na tela da vida
na chegada da partida
do rio a se desaguar.

Victor Fidel

Tudo começa pelo fim!



- A vida é o começo de alguma coisa que nunca termina
- Que sempre começa quando finda outra coisa
- Que nunca regressa ao tempo que é tudo
- Mas sempre é tudo pra quem tá na morte
- Que é onde vai parar quem nunca tem sorte
E os de muita sorte.. Mais cedo ou mais tarde...
- Mas nunca ninguém teve tanta vontade
- Nem tanta verdade assim foi exposta
- De certo, um dia toda essa resposta
- Acenderá a tocha pra longa viagem
- E tudo assim pois então voltará
- A ser o que foi e sempre será
- Simplesmente pó!
- E fim!

Victor Fidel / Maviael Melo