sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vital Joffily - Valsa Brilhante Nº1

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A Alma



Dizem que ela tem a densidade da fumaça
Outros afirmam que não passa de uma minúscula
partícula de luz.
Não está alojada no interior dos ossos,
nem apertada dentro dos olhos
Já vasculharam quase tudo e não a acharam.
A minha deve ser verde,
um verde bem forte e luminoso,
e exalar algo como menta.
O que lhe prende ao meu corpo eu não sei
Dizem que é possível desfazer a cola
quando meditamos em função disso.
Se temos mente e corpo,
por que precisamos de alma?
Talvez esteja aí o motivo pelo qual
alguns não acreditam nela
Se sentem presos no corpo
e escravos da mente,
mas ambos são uma coisa só.
Um sopro perdido me disse que Deus é feito de luz,
a mais intensa luz que possa existir
E se o homem provém dela,
a alma com certeza é essa pequena porção
do divino que nos incumbimos de carregar,
e lhe dar conta num certo dia inevitável.

Toni Carvalho

Acabou-se assim



Acabou-se assim,
Ninguém jamais falou o que aconteceu
E se fecharam nos seus camarins
E se esconderam embaixo dos lençóis.

Acabou-se assim,
E as histórias nunca são reais
E os falastrões anunciavam o fim
Enquanto cada vez se amavam mais.

Acabou-se assim,
Penalizados pela compreensão
E machucados pela decisão,
De se esconderem embaixo dos lençóis,
De se fecharem nos seus camarins,
De se tornarem livres querubins.

Acabou-se assim,
Como se acabam todos (os) carnavais,
Como se queimam os canaviais,
Posto que é vida e um dia vai ter fim.

Enfim,
Se entregaram para qualquer um
Na madrugada de um dia assim
E entorpeceram-se nos cabarés
E adormeceram em trévidos motéis
E se tornaram alegres pastelões,
Seguindo ao pé da letra as instruções...
E dia a dia se tornavam cada vez mais iguais.

Zé Manoel

Tive sim



Tive, sim,
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim...
O que ela sonhava
Eram os meus sonhos e, assim,
Íamos vivendo em paz
Nosso lar...
Em nosso lar sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou
Tive, sim,
Mas comparar com teu amor seria o fim
E eu vou calar
Pois não pretendo, amor, te magoar.

Cartola

João de Ademar - Sons de Carrilhões

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ação Poética da Força Igualitária



Do barro que Deus o poeta modelou
ele não bateu e nem soprou
apenas, com o indicador
mandou sair e ser ação,
por isso todo veterano é um aprendiz
nessa estrada em que a razão
determina a perfeição.

Não é meu nem de ninguém
o que tudo aqui existe
mas não fiquei assim tão triste
vendo partir meu querer bem,
pois nem tudo, todos tem
muito menos quem se ama,
poeta, poesia e fama
só com aprendizado é que vem.

Todo sentimento é a raiz
no futuro que acredito
onde tudo se contém
onde o junto é infinito,
na razão do ser amor
na beleza da “fulô”
por achar o espinho bonito.

Determina a perfeição,
quando eu aprendiz ver
veterano a aprender
a ação dos dois unidos.

Paulinho Jequié / Victor Fidel

O Carnaval que cada um merece!

[Texto de Maviael Melo]

Lendo uma coluna de algum jornal desses virtuais, deparo-me com um texto de alguém, que insatisfeito com o carnaval, falava mal tanto de quem ficou na cidade, quanto de quem saiu, segundo ele, da sua “cidadela”.

Pôrra! O cara não viaja e reclama de quem vai. Fica e reclama de quem fica... ou seja: nem viaja e nem fica, contradizendo os poetas dos Vates e Violas. (Quem não viaja! Fica!)

Eu, a cada ano que passa, descubro quantos carnavais ainda terei que inventar, e seguirei poeta, criando uma marchinha para cada emoção, dançando em salões di-versos diferentes, de acordo com as rimas de versos na mente, com os amigos, que assim com eu também constroem seus próprios carnavais, com mais ou menos cédulas disponíveis, sim, pois cada carnaval tem seu custo. Mas será que custa muito pensar em como se diverti, ou é melhor aceitar e ficar na minha cidade sem grana, sem graça, bradando em alto e bom som: “esse carnaval de merda.” mas de quem é a merda? Até onde se acredita no carnaval enquanto manifestação culturalmente popular?

Como diria Jessier: “... basta subir pra riba, meio dúzia de corruto, quatro babão, cinco putas...” nesse caso: meia dúzia de amigos, amigas, os bebuns de plantão, os amantes da folia e se possível é claro uma ruma de quenga. “...dois piston e um tarol e pode até ficar melhor com uma torcida pra torcer”, levantar da cadeira, desligar a porra da TV, comprar uma caixa de cerveja, cachaça, enfeitar com uns enfeites, o que pode ser enfeitado, criar um refrão e pronto... êis o carnaval.

Segundo o mestre Luciano Siqueira no seu texto Alegria Guerreira, quando se refere à festa: “Manifestação do modo de sonhar, sofrer, lutar, sentir e amar de nossa gente” (http://www.lucianosiqueira.blogspot.com/),

então, cada um sonha, sofre, luta, sente, ama e goza, do jeito que tem que ser, ou do jeito que consegue, através do que o coração sente e da capacidade individual de cada um produzir, conquistar e convencer.

Fazer carnaval é viver!

Ficou na cidade, acorde seu sonho
não espere a palavra pra onde seguir...
escreva seu frevo pra assim prosseguir
e tire da mente o verso tristonho
olhe o negro d´água, sinta ele risonho
faça do seu canto a sua aquarela
não fique falando, criando querela
escreva seu verso sem tanta tristeza
desligue a TV... levante da mesa
ou entre no bloco "dessa cidadela"!

Maviael Melo
(Chegando duma farra que mereceu... Boa que só agota serena - terça quase quarta... Quase em cinzas)

Juamoça


Tela de Coêlho de Assis (Coelhão)

Juachico, bela moça
Do vapor, do céu azul
Que abriga gente bela
De norte leste oeste ou sul

Cidade moça, bela menina
O velho que te une 
Juazeiro a Petrolina

A riqueza natural
Do cari ao surubim
Impressiona a orientais
Ao poeta e a mim

Cidade moça...
A beleza que transcende
Tudo o que um dia vi
Aformoseadamente
Se instalou bem dentro aqui

Cidade moça, bela menina...

Vigiai o decorrer dos dias, ó mãe
Ilumina a estrada, os filhos teus
Ao catar os pingos da poesia
Entregai em véu às mãos de Deus

Terra mãe fertilidade firme
Cheiro de volúía que no cio
Mansa no afã da tua carne
Só aceita os carinhos do rio.

Nilton Freitas / João Sereno

Fusão



Se quiser colher,
Acolha.
Pra ser árvore,
não basta uma só folha.
E uma árvore só
não faz floresta!
É deserto,
e a areia é o que resta.

E até mesmo a areia
é junta.
Uma só
é só grão, é defunta.
Morre e some sozinha,
num pé de vento.
Mesmo o tempo
é um punhado de momento.

E quando eu chorar,
entenda:
Só queria
dividir a merenda.
Noite cheia de estrela
é que clareia.
Refeição
só é santa quando é ceia.

Se quiser ser um,
abrace!
Todo gol
é gerado por um passe.
Fazer coro é de pele,
é fusão!
Fazer solo
é flertar com a solidão.

Rodrigo Sestrem

Na viagem da saudade



Longe gorjeava o passarinho
Num tom bem ensaiadinho,
Lembrando-me a primavera
Trazendo junto a saudade
Pra me ver aqui sozinho
Desenhar outra quimera

Viajava sem rumo o pensamento
A poesia por inteiro alimento,
Era quem me aliviava
E ao cair de toda tarde
Quando me visitava a fadiga
Era quando ela aumentava

Daí-me tempo querida amiga,
Porque às vezes me mata,
E o que sinto se esvai
Ai! que não voltam mais
As curvas daquela estrada.

Enluarada e linda
Mãe lua chora
Fazendo sofrer quem tanto adora
A amada que longe está.

Ai! que não voltam mais
As curvas do meu estradar.

Paulinho Jequié / Victor Fidel

Cadê o Jangada?

Esse carnaval
Eu não sei o que vai ser
Na rua de baixo
Na rua de cima
Nem o Jangada
Nem o solo de João
Pura melancolia
Não vou sair
Para não encontrar a solidão.

Gildemar Sena

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Não tenho medo da morte

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[Dê ouvidos]

Não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor
ou vontade de mijar

A morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
o além já será então
não terei pé nem cabeça
nem figado, nem pulmão
como poderei ter medo
se não terei coração?

Não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte e depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

Então nesse instante sim
sofrerei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade
como em qualquer despedida.

Gilberto Gil

El Pececito



Bailando está el pececito
en su salón de cristal;
brilla su traje bordado
con escamas de coral.
Cuenta de estrellas en los ojos
que no cierra en el dormir:
¡pececito, yo te quiero,
porque danzas para mí!

Óscar Jara Azócar



Fiz ranger as folhas de jornal
Abrindo-lhes as pálpebras piscantes
E logo de cada fronteira distante
Subiu um cheiro de pólvora
Perseguindo-me até em casa

Nesses últimos vinte anos
Nada de novo há no rugir das tempestades
Não estamos alegres, é certo
Mas também porque razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado.
As ameaças e as guerras
Havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio
Cortando-as como uma quilha corta as ondas

Vladimir Maiakóvski
Tradução: Emilio Carrera Guerra

Qualquer outro amor



Amor em pó, Amor em barra
Amor em silêncio, ou um Amor com farra
Amor em líquido, Amor no sólido
Amor com fogo, e não esse Amor pálido, esquálido

Me dê um pouco de amor,
Amor de outro tipo
Me dê um pouco de amor
Pr'eu guardar comigo

Amor em jejum, Amor transbordado
De Amor comum serão por mim dispensados
Eu quero Amor em calda, Amor em pasta
O Amor que eu tenho já não me basta

Amor com tempo de perder a hora
Amor pra sempre
Amor agora.

Paulinho Moska

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Li Jie | J.S Bach - BWV 1007

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O Vosso tanque General, é um carro forte
Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar.

Bertold Brecht

Poetas



Poetas quando se encontram
Versos atravessam no ar
O vento sopra ligeiro
Só pra ver o sol raiá
Não deixe os poetas soltos
Pois o bicho pode pegar.

Três cabeças são três versos
Na hora de se versar
Sai coisas do outro mundo
Não custam muito a chegar
Num estalo do pensamento
As rimas começam a rimar.

Não deixe três poetas juntos
Pro curisco não cair no mar.

Gildemar Sena

Morro de São Paulo



É morna a saudade do beijo
com medo, desejo e luar
foi curto como teus cabelos
e quente como o mar de lá
no morro eu morri de alegria
foi riso, suspiro, viver
já não me sentia mais ilha
me vi ancorado em você

Na aurora teu barco sumindo
meus olhos dormindo, sem ver
queria no sopro da gaita
os ventos mudar e trazer
teu riso de volta pro morro
nascendo qual sol de verão
fugindo e se encontrando
ilhada no meu coração

Vem viver o sonho
vem que eu tou aqui
vem de vez por morro
morro, mas nunca mais
vou deixar você partir.

João Sereno e Verlando Gomes

Andy McKee

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Zyliana



No tempo em que eu andava pela poeira
Daquele velho brejo de onde rumei
Não tinha tanta mágoa rente no olho
De alegria é só do que eu chorei
Não andava pela rua
Credo-cruz / Ave-Maria!
Nada sei do que eu queria saber!
Nada sei do que eu queria saber!
O homem já procura agora um caminho
Que o leve de volta para um lar
A foz de um grande rio me arrastou
E num toco boiando fui lutar
Netuno com seu tridente
Proteja-me consciente
Da queda que o rio corre pro mar!
Da queda que o rio corre pro mar!
O peso desses anos me acordou
De um sono profundo de condor
Se você não tem nada para fazer
Amigo, nada tens a se perder
Feche o quarto com cimento
E veja que mundo cinzento
E como ficou o verbo amar!
E como ficou o verbo amar!

Zé Ramalho

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Primeiro Festival Internacional de Sanfona - Por Maviael Melo



Eu já vislumbro o repente
concretizado de versos
alicerçando os sucessos
colhidos pelo batente.
Vejo brotar a semente
e um novo fruto gerar
para nos alimentar
entre notas de poesia.
É a Conspiradoria
soltando xotes ao ar

Já vislumbro outro luar
adormecendo o salão
e os anseios de um baião
quando demora acabar
Aquece o verbo do amar
Quando deseja uma flor
rodopiando o amor
que sempre fica depois
Hoje Toca pra nós dois
outro acorde sonhador!

...... e vejam que majestoso
Dominguinhos vem chegando
já vejo o tempo parando
no seu ciclo curioso
E num cantinho, dengoso
com a saudade se aquece
acompanhando a quermece
do Primeiro Festival
de "Fole"* Internacional
Que a todo o vale engrandece!

Maviael Melo

A Lavadeira



A lavadeira me falou que já não anda,
que anda cansada da vida, lavanderia,
do estampado que a vista coloria
e dos lençóis que perfumava com lavanda...

Já não consegue ir à beira do riacho
tentar seus passos sobre as pedras de sabão,
na mão carrega o velho pano desbotado
do tempo que vai se acabando sem perdão...

Então me conta, sem perder a vaidade,
na mocidade ela já foi muito feliz
e andava linda pelas ruas da cidade
a desfrutar dos seus amores juvenis...

Mas o amor, rendendo-se à necessidade,
fez com que ela o deixasse para trás
e, dissolvendo seus desejos em um balde,
deixou seus sonhos pendurados nos varais...

Zecalu Guimarães
Poema musicado por Zecrinha

Expresso 2222 - Banda SomGon

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Agnóstico



Eu não entendia os mal-resolvidos
eu não resolvia os mal-entendidos
eu não sabia de nada
eu nada sabia do não

Vento qualquer me levava
único senhor me achava
dono do meu cantar
dono do meu cantar

Eu não calculava qualquer direção
eu só viajava e nem percebia
que ao invés da calmaria
fechava o tempo todo em mim

Vento qualquer me levava
único senhor me achava
dono do meu cantar
dono do meu cantar

Agora eu me entendo mal-resolvido
agora eu me resolvo mal-entendido
agora eu quero saber de tudo
saber tudo de mim

Vento qualquer não me leva
escravo sou tenho certeza
refém deste meu cantar
refém deste meu cantar

Pingo de Fortaleza

Hermeto Pascoal

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Rotação



Amanhecendo e mirando a passarada
caração bate ligeiro
águas correm para o mar
levando em si a esperança
ao lamento que ficou,
na delícia do molhar.

A tardezinha num desejo louco cai,
com ciúme que já mais
na vida inteira, não o tinha
e com o olhar triste se vai
sem sequer olhar pra trás
o astro sol da vida minha.

Anoitecendo e o olhar no firmamento
doce a brisa, leve o vento
mais um dia livre cai.
“Simbora,” sem medo ou incerteza do futuro,
avante plantador de sonhos
viver outro dia que por si só sai.

Victor Fidel / Paulinho Jequié

Recomeço



Me desdobro no pensar
e o pensar às vezes trai
tô de novo nessa estrada
e novamente o novo vem.

Trago um texto enviesado
de um poeta descuidado
indo em busca do querer,
ressonando na poesia
lida e rima a luz do dia
fazendo a canção nascer.

Sou luz de vela num sinal
onde a chama não findou
e aquele que o cruzava
nem sequer observou,
que o verde não maduro,
pecaria o seu amor,
e no fechar dos olhos medo
e ao abrir quase tombou.

Mais tempo em tempo, tempo tenho
tendo o vento ao meu favor
no balanço da bandeira
que o passado desbotou,
um qualquer parindo a eira
que a beira abandonou
e o bebê “dandando” a sorte
cai, não cai,
se levantou.

Recomeço, recomeço, reconheço!
Reconheço, reconheço o recomeço!

Paulinho Jequié

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

...
se quero teu beijo de forma molhada

- eu bebo você -
se quero teu beijo de forma robusta
- desenho você -
se quero teu beijo de forma auditiva
- eu falo em você -
se quero teu beijo de forma concreta
- eu mordo seus lábios até sangrar -

Pulando

Se me passo
quando os olhos estão fechados...
Por outro lado
abro a estrada da lembrança,
há quem não veja
os caminhos da tristeza
que eu pisei
mesmo sem querer.
No caminho da esperança
agora eu sei, eu pisei.

Victor Fidel

A flecha e a canção



Lancei uma flecha no ar,
Caiu no chão, onde foi parar ?
Pois tão ligeira voou, que a vista
Não pôde seguir-lhe a pista.

Murmurei uma canção no ar,
Caiu no chão, onde foi parar?
Pois haverá tão perfeita visão
Que siga o vôo da canção?

Muito tempo depois, numa aroeira
Encontrei a flecha ainda inteira;
E a canção, do começo ao fim,
Um amigo guardou para mim.

Henry Wadsworth Longfellow

Barato total



Quando a gente tá contente
Tanto faz o quente
Tanto faz o frio
Tanto faz
Que eu me esqueça do meu compromisso
Com isso e aquilo que aconteceu dez minutos atrás
Dez minutos atrás de uma idéia já dão
Pra uma teia de aranha crescer
E prender
Sua vida na cadeia do pensamento
Que de um momento pro outro começa a doer

Quando a gente tá contente
Gente é gente, gato é gato
Barata pode ser um barato total
Tudo que você disser deve fazer bem
Nada que você comer deve fazer mal

Quando a gente tá contente
Nem pensar que tá contente
Nem pensar que tá contente a gente quer
Nem pensar a gente quer
A gente quer, a gente quer
A gente quer é viver

Gilberto Gil

Bem no fundo



No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas tem família grande,
e aos domingos saem todos pra passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski

Sei que chego



Estou sentindo o que é chegar
e no tropelo da ansiedade mais perto,
longe vai ficando o meu lar

O que é a saudade?
Junto com a vontade
se ainda é a tarde
que vai demorar a cair

O que é a agonia?
Faço até poesia
lembro uma melodia
tudo que eu mais quero é partir

Lembro logo de muitos sorrisos
correndo pra o meu abraço
mergulho num mar de carinho
na terra que sempre amei

O mundo quer me ver em seus trilhos
o que é me destinado eu traço
mas não demoro muito e volto pra o ninho
e tudo isso por que na minha terra eu sou Rei.

Rennan Mendes

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A sorte da flor



Há mulher que é por si carinho só
que o dá sem ter paga ou gratidão,
e o homem, às vezes alazão,
só amarra o próprio cego nó.

E tem mais, ele faz, sendo pior,
da mulher domestíssima criada,
pra depois, desgastada a empregada,
exigir-lhe um carinho do melhor.

Vejo a flor se deixar polinizar
dando à vida o direito de brotar,
a cumprir letra a letra o seu mister.

Mesmo assim não recebe o merecido
pois, também renegada ao esquecido,
o que tem diferente da mulher?

Carlos Perêra
Boca do Cariri - Paraíba - Brasil

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Confrade radiante



Qual espectro, azul e florescente
Num lampejo de aurora fulgurante
Eis então este lorde triunfante
De centelhas de amores gloriosos
Sertaneios de galopes não ditosos
Num versejo de alhures ruminado
Cavalgando um martelo agalopado
Sendo simples com seus olhos de brilhante
Vira estrela meu confrade radiante!
Nos mistérios deste céu todo estrelado.

Sejas sempre moleque amalucado
Com rompantes de ode declamada
Seja pétala de sonho amalgamada
E regalo de amores suntuosos
Num repente de riachos caudalosos
Seja pedra por Baco edificada.

Sinto falta da letra rabiscada
Um poema de lirismo qual infante
Num remoto atual rápido instante
Mais um brilho nesta noite estrelada.
Verso lasso num compasso diamante
Desmantelo de cenário e nevoeiro
Sentimento de um rastro forasteiro
E tristeza do vazio já dominante
A presença me faz falta doravante
Desde o olho cruzado então primeiro
Tire este meu coração de tal aceiro
Antes que a tristeza nossa então me mate.
Temo que não me socorra amigo vate
Caso eu precise do teu paradeiro.

Luar do Conselheiro

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Pintor de retratos (Retrato Pintado)



Ah, Quanta tristeza nos teus olhos tristes a emoldurar,
O teu lindo rosto, pétala de rosa me despertou.
Quem terá roubado outrora o teu sorriso e o teu amor?
Fez nascer um belo quadro de melancolia e dor.

Ah, Se o pincel pudesse em alegria a dor transformar,
Não existiria mais dias cinzento, nem cores gris.
Só o amanhecer, o verde , o amarelo, o sol a brilhar
E um falso sorriso estampado no teu rosto a chorar.

Um lindo colar de pérolas ostentas, será que é teu?
Ou terá sido pintado, ou terá sido mudada a cor?
Segredos do teu coração nas mãos de um pintor,
Quem sabe, o teu grande amor...

Uma palavra pode ser,
Um gesto simples como o teu,
Presa no quadro e perpetuada no momento em que dizia adeus,
Talvez eu esteja a imaginar,
Quem sabe esteja a ver os olhos meus
cansados de ouvir tanto adeus

Zé Manoel

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Quem é do amor



Quem é do amor não engana
ama mesmo as duras penas
por isso não são pequenas
as doces vezes do amor
quem é do amor é mais quente
viaja contra a corrente
tem sangue de aguardente
nas dices velas do amor

Quem é do amor tem o nome
de Raoni da floresta
Ruschi do espirito santo
da medicina da selva
quem é do amor é mais simples
tem uma cara de nuvem
e não permite que sujem
o verde da sua relva

Quem é do amor somos nós
consolo dos idiotas
chave de se abrir as portas
dupla que se satisfaz
que amor assim é pros vivos
pros rituais pros sentidos
não é para ser escrito
não é para os livros que se faz

Sérgio Sampaio

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ar Mar Rio


Se queres mudar meu ato,minha cena
Pequena participação na vida
Na nota certa, na hora exata
Exausta minha poesia ri.

Ri do ato, ri do fato
De querer modificar
Se é para mudar, eu mudo
Mas não faça o absurdo
De querer me governar
"De me ter" em tuas mãos
De fazer meus "sins" em "nãos"
Me impedir de respirar
Não me coloque nesse aquário
Não sou peça do seu armário
Sou peixe livre querendo o mar.

Kaká Bahia / João Sereno /Paulinho Jequié

Lamento da periferia



Quem acha que é muito duro tudo o que vou te falar
Não sabe nada da vida ou nunca esteve por lá
Viver lá não é moleza nisso eu tenho razão
Pois falta de tudo minha gente até sandálias e pão

Vivem abandonados por conta da própria sorte
Poder público não se acha procure de sul a norte
E toda aquela gente sofrida procura se animar
Buscando sorte na vida não sei se ela chega por lá

Moradia decente na certa não se encontra por lá
Saneamento nem praças para os meninos brincarem
Falta tudo em estrutura de um bairro organizado e decente
Até parece que lá não mora e nem vive gente

Escola até que existe mais é difícil entender
A fome fala mais alta fica impossível aprender
Contam minutos por minutos a hora de a merenda chegar
Quem sabe assim a fome pode um pouquinho se acalmar

De quatro em quatro anos passam os candidatos por lá
Pedindo votos dizendo que a situação vai melhorar
Depois que se elegem no bairro volta mais não
E o pessoal de bobeira espera mais uma eleição

Vivem na esperança que um dia as coisas vão melhorar
Mas é preciso minha gente coragem para lutar
Lutar por uma vida descente em que todos possam ganhar
Moradia, saúde, segurança e educação pra mudar

Muitos clamam ao senhor achando que é a solução
Não sou descrente e acredito que Deus é a nossa união
Mas não cruze os braços irmão esperando um milagre chegar
Pois toda conquista é árdua só lutando podemos mudar.

Edi Santana Barbosa

Juiz gaúcho escreve sentença em forma de poesia

[Esse é um "post" diferente, ao entrar no poematório hoje, me deparei com uma notícia hilária e um tanto interessante. Segue abaixo o reboliço!]

Um juiz da Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu variar e elaborou um acórdão (decisão sobre recursos judiciais) em forma de verso.

Coube ao juiz Afif Jorge Simões Neto, 49, analisar um pedido de recurso de uma ação indenizatória por danos morais. Um homem de Santana do Livramento, no interior do Estado, moveu a ação por ter se sentido ofendido com um pronunciamento feito na Câmara do município. O réu da ação teria dito no pronunciamento que o autor do pedido não teria feito uma prestação de contas à prefeitura.

Em primeira instância, o autor venceu a causa, mas o réu recorreu. O juiz Simões Filho acatou o recurso e julgou o pedido improcedente.

"É um caso que envolvia pessoas ligadas ao tradicionalismo, ao CTG [Centro de Tradicionais Gaúchas]. Como achei que o assunto seria interessante e sei que o gaúcho gosta de verso, de poesia, resolvi fazer essa tentativa", afirmou Simões Neto.

Mesmo em forma de verso, a decisão não deixa de ser o resultado do trabalho de analisar o caso, enfatizou o magistrado.

"Fiz um rascunho e vi que daria. Mesmo que seja em verso, eu tive que fazer uma análise do processo, para analisar a eventual culpa de cada um. Só o verso não basta. Tem que fazer o verso em cima da análise do processo. O verso é a forma, mas tive que fazer a análise do conteúdo no próprio verso", disse o juiz.

Simões Neto tem intimidade com a escrita, além da forma usual sentenças judiciais. Ele afirma que escreve crônicas e tem dois livros publicados, um com suas crônicas e outro da biografia do pai, que era advogado.

"Meu pai quando era advogado fez ao menos duas defesas em verso, que não é o mesmo que uma sentença. Então eu já tinha uma referência em casa e resolvi me aventurar. Até que recebi elogios", afirmou.

O magistrado não teme que sua atitude abra margem para a população ou a comunidade jurídica o considerarem um brincalhão. "É realmente inusitado, que foge do aspecto formal. É que o direito é muito sisudo, estanque. Então resolvi sair dos padrões normais. Eu corro o risco [de não ser levado a sério]. Parece que o rapaz que perdeu a ação achou que foi uma brincadeira. Mas não foi. Julguei de forma séria, como julgo em todos os processos. Apenas o formato foi diferente", disse.

Veja a decisão em verso do juiz gaúcho:

"Este é mais um processo
Daqueles de dano moral
O autor se diz ofendido
Na Câmara e no jornal.

Tem até CD nos autos
Que ouvi bem devagar
E não encontrei a calúnia
Nas palavras do Wilmar.

Numa festa sem fronteiras
Teve início a brigantina
Tudo porque não dançou
O Rincão da Carolina.

Já tinha visto falar
Do Grupo da Pitangueira
Dançam chula com a lança
Ou até cobra cruzeira.

Houve ato de repúdio
E o réu falou sem rabisco
Criticando da tribuna
O jeitão do Rui Francisco

Que o autor não presta conta
Nunca disse o demandado
Errou feio o jornalista
Ao inventar o fraseado.

Julgar briga de patrão
É coisa que não me apraza
O que me preocupa, isso sim
São as bombas lá em Gaza.

Ausente a prova do fato
Reformo a sentença guerreada
Rogando aos nobres colegas
Que me acompanhem na estrada

Sem culpa no proceder
Não condeno um inocente
Pois todo o mal que se faz
Um dia volta pra gente

E fica aqui um pedido
Lançado nos estertores
Que a paz volte ao seu trilho
Na terra do velho Flores."

"Gostosas"

No Rio, assistir às "gostosas" do "Big Brother Brasil" foi uma das justificativas de um juiz do para dar ganho de causa a um homem que ficou meses sem poder ver televisão. O juiz Cláudio Ferreira Rodrigues, 39, titular da Vara Cível de Campos dos Goytacazes (278 km do Rio), justificou sua sentença dizendo que procura "ser sempre o mais informal possível".

Ao determinar o pagamento de indenização de R$ 6.000 por defeito em um aparelho de TV, o juiz afirmou na sentença: "Na vida moderna, não há como negar que um aparelho televisor, presente na quase totalidade dos lares, é considerado bem essencial. Sem ele, como o autor poderia assistir às gostosas do "Big Brother'?".

O magistrado disse que procura ser direto para que o autor da ação entenda por que ganhou ou perdeu.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009



Eu sempre bebo a dose de veneno que mata.
E não morro.
Eu sempre conto o fatal antes da notícia.
E ela sempre me desmente.
Quando chove derrubo prédios.
Quando seca mato vacas e gente.
Se acender um fósforo conto de bombas.
Mas solto os cadarços.
Mas sei dos sinais do semáforo.
E não adivinho.
Hesito olhando a faca da manteiga.
Hesito olhando a manteiga.
Hesito.
Depois decido beber de novo o veneno.
Dose letal.
E continuo vivo.

Lupeu Lacerda

Romano Nunes



Assitam, esse é "sem comentários"

Presente de grego



Minha cabeça solta no mundo
meu coração amarrado em pedra
meus pés, em caminhos profundos
tudo pra saber onde encontrar

Onde está sua presença?
O meu corpo em sentença,
minha alma em confusão
você me deixou na mão
(um presente de grego)

Victor Fidel

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Século XXI



O homem diz:
- Oi,
A mulher diz:
- Oi,
O homem diz:
- Humm...
A mulher diz:
- Hahh...
O homem diz:
- Foi bom pra você?
A mulher diz:
- ...[silêncio].

Renata Reis

O Bailar das sombras



Bailam sombras pelo arvoredo,
Um silêncio se desfaz.
O descobridor dos meus segredos
singra lentamente o meu mar.
Doira o Sol sobre os teus cabelos,
A espera se desnuda
Sou a torre, que guarda os teus desejos,
Sou teu par, por fim, sou tua lua.
Justo cavaleiro, bardo sonhador,
Invades minha alma, devotas meu amor.
Bailam sombras e um silêncio se desfaz.
Renascer é ir de encontro à paz!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Pavio do Destino


Hoje recebi esta arte de um amigo carioca chamado
Eduardo Marinho. Resolvi postar a letra de Sérgio Sampaio que retrata o destino distinto de dois irmãos. A muito procurava uma imagem que retratasse bem a poesia e aí está.

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Pavio do Destino

O bandido e o mocinho
São os dois do mesmo ninho
Correm nos estreitos trilhos
Lá no morro dos aflitos
Na Favela do Esqueleto
São filhos do primo pobre
A parcela do silêncio
Que encobre todos os gritos
E vão caminhando juntos
O mocinho e o bandido
De revólver de brinquedo
Porque ainda são meninos

Quem viu o pavio aceso do destino?
... do destino

Com um pouco mais de idade
E já não são como antes
Depois que uma autoridade
Inventou-lhes um flagrante
Quanto mais escapa o tempo
Dos falsos educandários
Mais a dor é o documento
Que os agride e os separa
Já não são mais dois inocentes
Não se falam cara a cara
Quem pode escapar ileso
Do medo e do desatino

Quem viu o pavio aceso do destino?
... do destino

O tempo que é pai de tudo
E surpresa não tem dia
Pode ser que haja no mundo
Outra maior ironia
O bandido veste a farda
Da suprema segurança
E o mocinho agora amarga
Um bando, uma quadrilha
São os dois da mesma safra
Os dois são da mesma ilha
Dois meninos pelo avesso
Dois pequenos Valentinos...

Quem viu o pavio aceso do destino?
... do destino

Sérgio Sampaio

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Planeta Movido a Internet



O visor como tela de TV,
O teclado acessível como book
Pra maiúsculo ou minúsculo é Caps "Look" (Lock)
Pra mandar imprimir é Control P
Com o micro'' Sansung e LG
e os programas que a Apple financia
A indústria da datilografia
nunca mais vai fazer máquina Olivetti
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Quem se pluga em milésimo de segundo
E se conecta ao portal e seus asseclas
Basta apenas tocar numa das teclas
que o visor nos transporta a outros mundos
Desde a terra dos solos mais fecundos
Ao espaço onde o vácuo se inicia
Quem formata depois cola, copia
e prende o mundo na grade de um disquete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

A indústria se auto-destruindo
Descartou o compacto e LP
Veio o surto da febre do CD
e DVD mal chegou e já está saindo
MD não há mais ninguém pedindo
Nu''a DAT gravar ninguém confia
Fita BASF tem pouca serventia
e ninguém quer mais nem ver videocassete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Brasil SAT é mais uma criação
que nos nossos vizinhos deu insónia
O Sivam espiona a Amazônia
evitando que haja outro espião
É por via satélite a transmissão
que não tem transmissão por outra via
Uma antena sequestra a sintonia
pra DirecTV, Sky e Net
O planeta movido a Internet
é escravo da tecnologia

Transatlânticos no mar fazem cruzeiros
E pelos micros das multinacionais
Hoje tem conferências virtuais
com os executivos estrangeiros
O email é correio sem carteiros,
tanto guarda mensagem como envia
Os robôs usam chip e bateria
e videogame é brinquedo de pivete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Cibernética na prática e no papel
deixa os seres online e ganham IBOPE
Com Word tem Palm e laptop
e ainda mais PowerPoint e Excel
É possível quem mora em Israel
pelo Messenger teclar com a Bahia
Se os autômatos ganharem rebeldia
tenho medo que a máquina nos delete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Pra prever terremotos e tufões
os sismógrafos têm números numa escala
E o trem-bala é veloz como uma bala
numa linha arrastando dez vagões
No Japão e na China as construções
já suportam tremor e ventania
Torre, ponte, edifício, rodovia
são perfeitos do jeito da maquete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Nosso pouso na lua foi suave,
um robô foi a Marte e se deu bem
Estão querendo ir ao Sol, mas o Sol tem
de calor um problema muito grave
Mas a NASA não tem espaçonave
que suporte essa carga de energia,
Se for feita de fibra, se desfia,
e de alumínio o monstrengo se derrete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Motorola trocou técnica e conselho,
Nokia e Siemens galgaram patamares
Já estão fora de moda os celulares
que têm câmera e visor infravermelho
Reduzindo o tamanho de aparelho,
a Pantech fez mais do que devia
Que a memória de um chip não podia
ser mais grossa que a lâmina de um Gillete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Hoje a Bombardier não fere as leis
e a Embraer mãe de Sênecas e Tucanos
Invísivel aos radares há dois anos,
já existe avião que a Sukhoi fez
É da Nasa o XA-43
que voando tem mais autonomia
Um piloto automático opera e guia
o Airbus e o 747
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia.

Raimundo Nonato e Nonato Costa