Sou refém de mim
Olho-me, e não posso ver
Coisas que gostaria.
Sou encapuzado sem visão,
Forjado no traço que traça
O compasso do meu coração.
Me peço resgate,
Minh’alma rejeita
Me peço respeito,
Meu corpo deleita
Quando já não me peço
Meu ser me aceita
E faz do seqüestro
Um belo encontro
Desandado no tempo,
Quero passar sem convite
A velha catraca da vida a girar
E mesmo barrado me torno voltar
Pra grande giranda do recomeçar.
Sou assim, sem destino sou!
Jogado ao léu,
Um véu de calor,
Cobertura do olhar
No corpo da vizinha
Que passa com pressa
Pra não me notar.
“Quem sou você”, na incerteza do certo?
Pois é, sou esse aí,
Agora, pergunto-me sem medo:
É comum se auto-seqüestrar
E viver pensando livre?
Paulinho Jequié / Fidel


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