quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Fortuna



Ó Fortuna,
És como a Lua
Mutável,
Sempre aumentas
Ou diminuis;
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente;
Miséria,
Poder,
Ela os funde como gelo.

Sorte imensa
E vazia,
Tu, roda volúvel
És má,
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias;
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contrária.

E tira
Mantendo sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a corda vibrante;
Porque a sorte
Abate o forte,
Chorai todos comigo!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Você



Você alguma vez se perguntou por que
Faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar?
Mas voce faz, sem saber porquê, você faz!
E a vida é curta, por que deixar que o mundo
Lhe acorrente os pés?
Fingir que é normal estar insatisfeito
Sera direito, o que voce faz com você?
Por que voce faz isso por quê?
Detesta o patrão no emprego
Sem ver que o patrão sempre esteve em você
E dorme com a esposa por quem ja não sente amor
Sera que é medo?
Por que? voce faz isso com você?
Por que você não pára um pouco de fingir
E rasga esse uniforme que voce não quer...
Mas voce não quer, prefere dormir e não ver
Por que você faz isso por que?
Sera que é medo?
Por que? você faz isso com você?
Voce faz isso com você.

Raul Seixas

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Duros Sentimentos



Navegando pelas águas
dos mais duros sentimentos
onde não vejo futuro, só enxergo ilusão,
me ponho a mesa da verdade em um lamento

Viajando pelo frio dos sentimentos mais calorosos,
vejo os amores depressivos
não tem folha, não tem flor
me ponho no caminho da esperança
esperando em passos

Enquanto a temperatura do relento,
não abrir a porta do que me importa
vou deixando certa ou torta,
uma estrela no cenário da janela dela
a esperança.

Victor Fidel / Claudio Barris

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Choro pra Ademar



Mesmo que não queira
Ademar sempre está na beira
interferindo sem querer
com um lamento carinhoso
de um choro sem mágoa
que deságua saudade distante
de tempo e espaço

Quando as cordas
vertem lágrimas em choro,
sem violão, o choro solidifica
a palavra na palma da mão

Paredes amarelas
garrafas, fotos...
Jacob tocando
bandolinicamente
mais uma canção

É aí onde sento-me
a beira de Ademar
no dois nove sete
e a praça em bandeirada
me recebe

Por fim, delicadamente
entro em choro maduro
entre o porto seguro
que me enche a mão
de cordas e emoções,
e sozinho ou em multidões
à toa viro uma canção.

Fidel / Gildemar Sena

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Do fundo do fim do mundo



Do fundo do fim do mundo
Vieram me perguntar
Qual era o anseio fundo
Que me fazia chorar.
E eu disse, "É esse que os poetas
Têm tentado dizer
Em obras sempre incompletas
Em que puseram seu ser.

Ë assim com um gesto nobre
Respondi a a quem não sei
Se me houve por rico ou pobre.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Não há poema em si, mas em mim ou em ti.

Octavio Paz

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Canto dos olhos tristes



Santa dos olhos d'água
De chorar desfez-se o mundo
Calou-se com um olhar fundo
Em uma negra e triste mágoa

Catarina dos olhos razos
Tristes de uma dor aguda
De ver que a tristeza muda
A vida, a flor, os vasos...

Teu canto fez-se em tristeza
Teu riso transformou em pranto
Rezo em ti a certeza
De restauração do teu canto

Que assim seja tua flor
Renascida dos teus campos
Em meio a toda essa dor
De nascer de novo cante o teu canto.

Yvison Pinheiro

Água



A grota inteira tá chorando de saudade
Da umidade que fecunda a terra seca
Vital retalho do céu que manda pro solo
Divino orvalho gozo que nos eterniza
Intimidade que pertence à natureza

Com essa imensa porção liquida riqueza
Certeza de brotar do solo os alimentos
Sustento eterno das matas do mar e vento
Centro da vitalidade do universo
Verso e reverso que reveste a natureza

Está presente na terra em toda parte
Na arte farta de tanta imagem poética
Que alimenta a filosófica estética
Clara cristalina límpida e forte
É responsável pela vida ou morte em marte

Se faltar aqui na terra tem tragédia
Catastrófica será se vem de sobra
e a nossa ignorância será mágoa
Mas a nossa inteligência será trégua
Quando sólidos e sós seremos água

Jatobá / Xangai

Amor de Carnaval

Eu não quero mais chorar
Por causa de um amor qualquer
Minha dor tem que acabar
No carnaval, se Deus quiser

Faz um ano deste amor
Esperei até cansar
Carnaval me trouxe a dor
Carnaval tem que levar

Gilberto Gil

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Santa Catarina



Catarina está chorando
alagando os nossos sonhos
me fazendo mergulhar,
por tantas e quantas vezes, Catarina?
Em lamentos profundos
pra "rancar" do coração
bem lá mesmo, lá do fundo
semear e proferir
a beleza de sorrir
na palma da minha mão?
Tu és planta que me encanta
Tu és folha que dá rima
Tu és minha, tu és santa,
Tu és Santa Catarina.

Victor Fidel