quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Viagem de um Poeta



Um poeta ali sentado
Na beira a admirar,
Um lenço d'água sem dobras,
No curso a se desaguar
Um fio a se desprender
Faz o poeta tecer
Seu destino para o Mar

Mas no mar ali chegando
Dá de cara com a paisagem
Do leito amamentando
Aquele porto miragem
Sete navios naufragando
“Selvagemente” esperando
A derradeira viagem

Viagem que então seria
O seu regresso ao deserto
Onde ali descansaria
O torto destino incerto
Sem perder a esperança
Logrando a grande aliança
Da paz que se vê de perto.

Maviael Melo / Victor Fidel

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Reflexão



Tudo parece repetir na vida do outro
ou até mesmo na minha.
Isso nada mais é que um olhar pra trás.
Nesse grande espiral que é a vida,
Olhar pra frente, é olhar pra dentro da gente
e enxergar o sacrifício que temos que fazer para
conseguirmos vencer, acordando a cada dia para costurar
mais um ponto da nossa história.
Espero que a vida me escolha
pra ver seu corpo despido, e sem maldade,
visualizar a sua mais pura beleza.
Beleza essa, que não existe no alfabeto desse universo.
Talvéz a minha inspiração pra viver,
queira não mais olhar pra frente.
Mas espero que você sempre esteja comigo
e com o leve toque da sua mão, me faça lembrar
que o ponto de encontro do tempo não é o futuro...
É o presente!

Victor Fidel

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Um presente



Um presente
Você foi assim, um presente
Daqueles que a gente sente
Que é mais do que pode esperar

De repente
Você veio assim, de repente
Sorrindo seu corpo quente
Sem medo de se mostrar

Tão bonita
Amor pra toda uma vida
Minha canção preferida
Que não canso de escutar

Minha sina
Minha rima cristalina
A força que me ilumina
A luz do meu caminhar

Você é forte
Você é meu chão, é meu norte
Meu sim, meu sol, minha sorte
A vida te fez meu par

Diferente
Você é assim, diferente
No meio de tanta gente
Que sorte foi te encontrar

Alexandre Leão

El Breve Espacio En Que No Estás



Todavía quedan restos de humedad,
sus olores llenan ya mi soledad,
en la cama su silueta se dibuja cual promesa
de llenar el breve espacio en que no está.
Todavía yo no sé si volverá, nadie sabe,
al día siguiente, lo que hará.
Rompe todos mis esquemas,
no confiesa ni una pena,
no me pide nada a cambio de lo que dá.
Suele ser violenta y tierna,
no habla de uniones eternas,
mas se entrega cual si hubiera
sólo un día para amar.

No comparte una reunión,
mas le gusta la canción que comprometa su pensar.
Todavía no pregunté "¿te quedarás?".
Temo mucho a la respuesta de un "jamás".
La prefiero compartida antes que vaciar mi vida,
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé...Suele ser violenta y tierna,
no habla de uniones eternas,
mas se entrega cual si hubiera
sólo un día para amar.No comparte una reunión,
mas le gusta la canción que comprometa su pensar.
Todavía no pregunté "¿te quedarás?".
Temo mucho a la respuesta de un "jamás".
La prefiero compartida antes que vaciar mi vida,
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé...

Pablo Milanes

Grande Circo da Vida



Hoje, palhaço dos amores
um dia domei seus leões
domestiquei corações
brinquei com seus equilíbrios...
um mestre na arte dos ludíbrios
um ás em fazer sumir sonhos
dos mais alegres aos tristonhos...
dancei sobre os peitos, picadeiros
dos charlatães fui o primeiro
girei pelo globo da morte
enganei a sorte e o azar...
e, agora, com a arena lotada
já nem sei uma piada contar...
espero, então, pelo Apresentador
pra que me tire do palco
pra que eu, sozinho, admire minha dor
distante dos camarins
bem longe da lona rasgada do amor...

Zecalu Guimarães

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aonde Deus possa me ouvir



Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém.

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber

Meu amor...
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor...
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui pode sair
Adeus

Vander Lee

sábado, 16 de agosto de 2008

Eu nunca consegui pegar,
tocar, alisar, nem espremer
Nem o ontem, amanhã, amanhecer
Nem passado, nem futuro no repente
O que posso, está sempre no presente
É a única coisa em que posso mexer.

Victor Fidel

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quantas voltas dá meu mundo



Rede de malha jangada de vela içada no ar
Quem não se arrisca não joga a isca
Atividade no mar
Quantas voltas dá meu mundo
Sei lá

Pasto na relva madeira de selva coberta de flor
Seja silvestre preste ou não preste
Atrai de longe o amor
Quantas voltas dá meu mundo
Sei lá

Chega domingo ninguém na igreja não tem oração
Tudo que é santo vive de encanto
Acorde a fé irmão
Quantas voltas dá meu mundo
Sei lá

Noite de lua viola na rua pra vida esquecer
Canto aberto verso incerto
A noite o amanhecer
Quantas voltas dá meu mundo
Sei lá

Jeito brejeiro retrato inteiro da população
Vida sem rumo mas em resumo
Amor no coração
Quantas voltas dá meu mundo
Sei lá

Djavan

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Um Mar de Rosas


Eu vim pra lhe pedir, oh! Mãe da águas,
Fazei com que meu bem possa voltar.
Pois ela é como a flor que vai na água
No mar do Rio Vermelho essa manhã.
Se o meu destino é prosseguir chorando
Eu sou uma flor que já está murchando.
Se o mar dá praia nesse mundo inteiro,
Marquei aqui no dois de fevereiro.
Eu vim de Itapuã pra lhe entregar
O rumo dos meus pés e caminhar.
E o meu caminho será um mar de rosas
O mar do Rio Vermelho pra Odoyá.

Dú Marques / Lau do Banjo

Preso de amor



Eu quero é me lascar de amor
Fazer do teu olhar mimoso
A minha prisão
Meu corpo dentro de você
E no teu colo adormecer
Sentindo o cheiro da paixão

Eu quero é me lascar de amor
Ser condenado a viver sempre
Dentro de você
Trancado em seu paraíso
Julgado por teu sorriso
Prisão perpétua de prazer

Palpitam grades de flores
E todos os ventos sopram
Mais uma canção
Eu quero é me lascar de amor
Eu quero é me lascar de amor
Eu quero é morrer de paixão.

Victor Fidel / Rennan Mendes

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

(DES)Crença



Não acredito em amor à primeira vista...
Nem à segunda... décima...
O amor não tem olhos!
(e nem precisa deles!)

Não creio em par perfeito...
Nem em ímpar!
Detesto mentiras.
(perfeição é a maior delas!)

Não acredito em destino!
Posso perfeitamente
Conjugar este "verbo" em 1ª pessoa:
EU DESTINO!

Portanto, eu escolho os caminhos!
Eu faço meu caminhar!

Eu curo minhas ínguas!
Entretanto, creio em olhar
(desde que verdadeiro)

Creio em desejos!
Creio no respeito!
Creio na sinceridade!
Creio na poesia!
Creio em encontros desencontrados!

Creio que dois podem completarem-se;
Depois divergirem-se;
E novamente completarem-se como sendo apenas um.
Ainda creio em NÓS!!

domingo, 10 de agosto de 2008

Acordes e versos



São tantos os sonhos vividos
Num pôr-do-sol, num luar
No seu rosto, um sorriso largo
O cais transbordando pro mar

O tempo constrói nossa história
Passado, futuro, presente
Conheço o gosto tão raro
Te peço que seja pra sempre

Nem tudo que morre é o fim
Nem todo amor, paraíso
Solidão nem sempre é estar só
Amar sem medo é preciso

Não cale o azul que me veste
Disperso no tempo de amar
Lançando acordes e versos
Na mão da razão pra cantar

Daniel Gomes

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Idéia



O Vaza- Barris secou
Mais a idéia de Antônio ainda não
O sertão vai virar mar
E o mar virar sertão
Eu sou jagunço
Filho de Cocorobó
Minha mãe Caratacá
Meu avô Curundundum
Eu sou favela
Sou peão e pau pra tudo
Venho lá de um outro mundo
Sou ferido na raiz
Minha família foi destruída na guerra
Lavrada a pau e pedra
Pela mão da matadeira
Não sobrou nada
Só ficou o pó no chão
Uma idéia na cabeça
E bisnetos de pai jagunço
Na memória do sertão.

Zecrinha

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dorme



O dia dorme devagar
E nós, insistimos em ficar acordados
Moraes diz que espera o prometeu
Por onde andará o céu?
- A terra está a procurar
A fruta me instiga a desfrutá-la
(antes do tempo)
O relento é o cenário, o armário, esconderijo

O dia foge quando a noite vem
O azul que tomava conta de nós
Agora é preto
Algumas luzes pequenas
Insistem em brilhar
Pra resistir o céu

O dia foi embora
E a noite ficou
Esperando o sol voltar

Victor Fidel

sábado, 2 de agosto de 2008

Chan Chan



De Alto Cedro voy para Macané
Llego al Puerto voy para Mayarí

El cariño que te tengo
Yo no lo puedo negar
Se me sale la babita
Yo no lo puedo evitar

Cuando Juanica y Chan Chan
En el mar cernían arena
Como sacudía el 'jibe'
A Chan Chan le daba pena

Limpia el camino de pajas
Que yo me quiero sentar
En aquel tronco que veo
Y así no puedo llegar

De Alto Cedro voy para Macané
Llego al Puerto voy para Mayarí

Francisco Repilado