sexta-feira, 30 de maio de 2008

Canto voador



Já fui a flor e o espinho
O canto do passarinho
Quem amou, quem já sofreu
A dor e o prazer do ninho
Pássaro visgado
em seus braços
que um dia você mereceu

Aí meu louco coração
ouviu o que a mãe do sonho,
veio nos dizer:
Vai vai vai pensando em mim
Que eu fico tum tum tum
por você.

Victor Fidel

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Na lagoa do amor



Onde a morena se banha
é na lagoa do amor
Tira a roupa e não se acanha
é na lagoa do amor
Onde o homem se assanha
é na lagoa do amor
Bebe água e não estranha
é na lagoa do amor

é na lagoa do amor que a morena lava o suor
é no forró que a morena pega a suar
é lá e cá no forró da lagoa
é na lagoa do forró que é lugar bom pra chamegar

é na lagoa do amor que a traíra cai no anzol
é com o anzol que a gente deve pescar
eu vou danar a mergulhar na lagoa
fazer igual a jacaré vê a morena se banhar

Luiz Gonzaga

Basta



Basta!
Chega de tanta besteira,
Essa turma da pesada é só asneira,
É zoada, confusão e nada mais:
Pega a viola,
Tirando sons esburacados e quadrados.
Vejam só,
O coitado do João Só
Subiu ladeira já cansado!
É o fim!
Alô, Jobim, isso é demais!
alô, Vinicius de Morais!
Dá um jeito na cabeça da moçada,
Senão você vai ver:
Não vai ficar nada do tom.

João Bagá

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Cativeiro



Refém do teu beijo,
Refém da tua dúvida,
Refém da tua tristeza,
Da tua beleza...

Sempre refém,
tive chances de escapar...
mas chances não são vontades...

gostei do meu seqüestro,
do meu cárcere,
gostei da comida do cativeiro...

mas agora tenho que ir pra casa!

Zecalu Guimarães
zecalu@hotmail.com

sábado, 24 de maio de 2008

Recordação



Martírio corrói as folhas ressequidas,
da catingueira benquista do norte
Houve a transição ou empole
O escrúpulo do bem-aventurado,
No olhar, uma clemência,
sem dor ou amor maior
que se sentisse sem jeito
Apertou dentro do peito
Essa aurora pra cantador
Faz exaltar o desajeitado.

Hércules Ramos
oberrodobode@hotmail.com

sexta-feira, 23 de maio de 2008

De trás pra frente



A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?

Charles Chaplin

terça-feira, 20 de maio de 2008

Faça ou não


Imagem: http://niilismo.net

Siga o caminho
do que for proibido,
mude de opinião
sempre que quiser

Faça brotar
a flor da esperança
na mente fértil de uma criança
e segue costurando o bem.

A escolha é uma pergunta
que o amanhã responderá.


Victor Fidel

Eu Quero Mesmo



Eu vou ao seu encontro
comigo
Eu quero mesmo é me afastar
do perigo

Não falta nada pra não faltar
Eu quero mesmo é te querer
Eu quero mesmo é ter prazer
Eu quero mesmo é te tocar

Victor Fidel

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Eu Proponho



Eu proponho
que o ministro das relações exteriores,
Ao invés de produto interno bruto,
Trate bem das questões interiores
Essas tantas isentas de tributo

Que se ocupe, o distinto ministério,
De criar fundamentos exitosos
- Sentimentos comuns aos hemisférios
Com base em tratados amistosos

Eu proponho:

Estabeleça-se a lei fundamental
Sob os pressupostos da poesia:
Que haja em toda casa um recital
‘Inda pela manhã e ao fim do dia

Que toda criança em formação
Conheça, com prazer, um instrumento
E aprenda a tocar com emoção
Os acordes do Santíssimo Invento

O presente decreto

Faça-se cumprir em todos os povos
Sujeitos às penas da lei já em vigor,
Pra que em breve se tenha humanos novos
A cuidar desse mundo com amor.

Socorro Lira
liraprocult@gmail.com

sábado, 17 de maio de 2008

De Rede em Punho ao Destino Armador



E era aquele balanço
Um rangido cabuloso
E o armador sem descanso
Repetia "buliçoso"

A rede assim embalava
A infância que urgia
De ser grande, precisava,
Mas a gente descobria,

De volta a tempos de antanho
Que grande era só tamanho
Que nem sempre era preciso

E a Infância inda guardada
Numa rede agora armada
Lá no fundo do improviso

Carlos Perêra
carlosmagno.pb@hotmail.com

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Disco Voador

Tomara que seja verdade
Que exista mesmo
Disco voador
Que seja um povo inteligente
Que traga pra gente
A paz e o amor
Se for pro bem da humanidade
Que felicidade esta intervenção
Aqui na terra só se pensa em guerra
Matar o vizinho é nossa intenção
Se Deus que é todo poderoso
Fez este colosso suspenso no ar
Por que não pode ter criado
Um mundo afastado da terra e do mar
Tem gente que não acredita
Acha que é mito os mistérios profundos
Quem tem um filho pode ter mais filhos
O Senhor também pode ter outros mundos
Os homens de nosso planeta
Dão a impressão que já não tem mais crença
Ao invés de fabricar remédio
Pra curar o tédio e outras doenças,
Inventam armas de hidrogênio
Usam o seu gênio fabricando bombas
Mais não se esqueça que por mais que cresça
Que perante Deus qualquer gigante Tomba!
O nosso mundo é um espelho
Que reflete sempre a realidade!
Quem planta vinho colhe uva
Quem planta chuva colhe tempestade!
No tempo que Jesus vivia
Ele disse um dia e não foi a esmo
Que neste mundo que a maldade infesta
Tudo que não presta morre por si mesmo!

Palmeira (Diogo Muleiro)

Lugar Seguro



Eu guardo um segredo lindo
Um sonho estrelado
Fico da cor do sol nascendo emocionado
Vou sim flutuar
Comentar uma canção feliz
Não dá pra explicar
Só o sentimento diz
No amor esse mar sem fim
Sou marinheiro a se devotar
Que não volta fica no mar
Igual você morando em mim
Vem comigo descobrir
Um lugar seguro
O amor é a nave do futuro
Chave do coração do mundo

Juraildes da Cruz

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Minuto Sagrado



Onze horas e um MINUTO
Que me faz sempre criança
Carregando a esperança
Nesse meu peito matuto
É um MINUTO tributo
Enfrentador de batalha
Que costurando se espalha
Tecendo linhas de horas
Amanhecendo as auroras
Esse MINUTO não falha

Não são sessenta segundos
Apenas que o acompanham
Esses sessenta o apanham
Formando tempos fecundos
Cantadores, giramundos,
De flores, damas poesias
Fuxicam colchas macias
Pra agasalhar suas horas
Diminuindo as demoras
Fazendo meses em dias

Esse MINUTO é sereno
É minha fé e oração
Segura na minha mão
Embala o sonho pequeno
Um MINUTO Nazareno
Cronometrado de versos
Rainha dos meus progressos
Carinhos do meu penar
O meu primeiro lugar
De meus pecados confessos

O meu MINUTO Maria
Da prece feita as seis horas
Sempre dizendo: - Se oras,
Serás feliz todo dia
O meu MINUTO POESIA
Seguindo sempre ao meu lado
MINUTO abençoado
O meu MINUTO Feliz
Minha mãe, minha matriz
O meu MINUTO SAGRADO!

Maviael Melo
<poetamavi@yahoo.com.br>

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Faixa Seis



Você hoje pra mim
Está completamente resolvida
Você hoje pra mim é a faixa seis
Do lado B
Do meu último LP
Aquela que o programador do rádio nunca toca
Aquela que o divulgador do disco evita
Aquela que fica espremida entre a quinta
A quinta faixa e o final da fita

Sérgio Sampaio

Efeitos do Aquecimento Global



1. Estamos vivendo um tempo
De um problema universal
Denominado por todos
De aquecimento global.
Ele vem bem devagar,
Mas chega pra transformar
Nosso sonho em pesadelo.
Pelos fatos que passamos
É certo que precisamos
Fazer por onde não tê-lo.

2. Voltando aos tempos remotos
Desta terra, a mãe querida,
Percebemos como muda
Pouco a pouco nossa vida.
Floresta não mais existe,
Mas o que ainda resiste
Se comparado ao passado
É uma mata sofrida
Em que um lado da vida
Já está sendo queimado.

Felipe Júnior

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Dominguinhos canta João Sereno e Kaká

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Fragmento: Dom Quixote Nordestino



Minha boca mastiga a madrugada
Pra matar minha fome de alegria
Lampião fez a minha pontaria
Com cartuchos de ouro e esmeraldas
Meu destino tracei nas navalhadas
Nos espinhos sutís das caatingueiras
Descansei em colchões de faveleiras
Cascavél foi a minha companhia
Cada estrela de fogo que eu comia
Acendia em mim relampeijadas

Zé Araújo
<zearaujocompositor@hotmail.com>

Devaneios I



Sujeira, gritos, porões...
Vida insentida, sem razões...
Vivaldinos à espera das presas,
pobres coitadas, caídas, desesperadas...
Por enquanto, nada de novo...
Nada é surpresa...
Tem paciência, Tereza...
Que a vida é um desengano...
Tem paciência, tristeza...
Alegria, só de ano em ano,
no são joão... Ou no carnaval...
Nada de bom ou de mal...
Somente, fétidos rincões,
sem chuva, sem mel e sem sal!!!...

Pedro Peixinho

Alegria de Cantar



Já passei pelas estradas mais distantes
A procura dos amores mais reais
Encontrei tantos viúvos de esperanças
Que jurei por Deus não chorar mais

Nos caminhos onde espinhos castigavam
Semeei sorriso e canto pra passar
Nasceram tantos sonhos que aprendi
O real valor do ofício de cantar

Hoje entendo passarinho
Que com nobreza e maestria
Mesmo preso canta solto
Festejando a alegria
A alegria de poder cantar

Zé Araújo

Beijo Moreno



Enfeitiçado pelo olhar dengoso
Esse olhar de gozo que não quer me olhar
Minha saudade já que não tem mais pouso
No amor gostoso quer se transformar
Morre de sede quando a fonte do prazer
Mina sem parar
E se consome quando a fome de você
Cansa de ficar
Esperando pelo um beijo seu, morena
Esperando pelo um beijo seu
Sobressalto e sobretudo louco
Quero mais que o pouco que você deve dar-me
E se agora só lhe peço um beijo
É que meu desejo deseja deixar
A explosão maior do nosso amor
Para a hora "h"
Em que a saudade não sentir nenhuma dor
De tanto ficar
Esperando pelo beijo seu, morena
Esperando pelo beijo seu.

Raimundo Sodré / Jorge Portugal

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Antiga Estação da Leste



Olhos vivos molhados de distâncias
Esticadas nos trilhos da saudade
Nos vagões sonhos-doce-liberdade
Nos corações a dor da despedida

Nos apitos de dor e solidão
Frios suspiros perdidos na agonia
Da fumaça pesada da partida
Pela leve alegria da chegada

De partir em partir os trens se foram
E levaram os lencinhos retinados
Pelo pranto do eterno querer bem

Mas o trem da total ignorância
Não deixou nem sequer estação
Para o trem do futuro que ainda vem

Zé Araújo

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Acalanto



Certa vez ouvi contar
Que muito longe daqui
Bem pra lá do são francisco, ainda pra lá...
Em um castelo encantado,
Morava um triste rei
E uma linda princezinha,
Sempre a sonhar...
Ela sempre demorava
Na janela do castelo
Todo dia à tardezinha, a sonhar...
Bem pra lá do seu castelo,
Muito além, ainda mais belo,
Havia outro reinado,
De um outro rei.
Certo dia a princesinha,
Que vivia a sonhar
Saiu andando sozinha,
Ao luar...
E o castelo encantado
Foi ficando inda prá lá
Caminhando e caminhando,
Sem encontrar...
Contam que essa princezinha
Não parou de caminhar,
E o rei endoideceu,
E na janela do castelo morreu,
Vendo coisas ao luar.

Elomar Figueira Melo

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Eu nunca consegui pegar,
tocar, alisar, nem espremer
Nem o ontem, amanhã, amanhecer
Nem passado, nem futuro no repente
O que posso, está sempre no presente
É a única coisa em que posso mexer.

Victor Fidel

domingo, 4 de maio de 2008

A vela e os tubarões



De caminho aberto meu coração vai
Levando as histórias de tempos atrás
Não deixe essa porta que podem fechar
E o desespero pode lhe acabar

Na solidão do mar eu vou abrir
A minha vela branca a prosseguir
E os tubarões perseguem pre'u naufragar
Ai você verá se der pra rir
Se teus olhos chorarem, posso chorar
Só posso me alegrar, pra que chorar?
Aí você verá se der pra rir
A minha vela branca a prosseguir.

Wilson Cirino

Êxtase



Cai a tarde, finda o dia,
A lua vem clarear,
A água prata desse rio
Dimana, procura o mar.
Quem dera ter, somente ser,
Eterna hora de amar.
Êxtase, sim, o amor é assim:
Inteiro quando se dá
É bela a noite, é negro o manto,
Brilhante a estrela no escuro.
Há tantas cores, há tanto amor,
Tonto canto obscuro!

Daniel Gomes

sábado, 3 de maio de 2008

Foi, sem ter ido...



Acordou e não levantou
Tomou café e não ingeriu
Pegou na pasta e não escovou
Frente ao espelho e não se viu
Bebeu a água, mas não secou
Foi biliscado e não sentiu
Abriu a porta e não fechou
Foi chingado e não ouviu

Ficou alegre e não sorriu
Despediu o despedido
Mordeu o dedo e não sentiu
Sentiu a dor sem ter ferido
Couro na mão e não curtiu
Aprendeu sem ter sabido
Engravidou e não pariu
Morreu sem ter nascido

O céu nublado e não choveu
Olhou no olho e não fitou
Molhou semente e não nasceu
Pegou na mão e não apertou
Botou no prato e não comeu
Recebeu e não contou
Subiu escada e não desceu
Comeu gostoso e não gostou

Victor Fidel

Medo da Lei



O elefante partiu
Não quis no circo ficar
Partiu pra Costa da África
Saudade da terra natal
Nas Índias Orientais
Ele era o rei
Hoje perdeu sua terra
Vive com medo da lei
Elefantinho
Vive bailando
Na terra, como no céu
Nos rios e oceanos.

Fábio Paes / Raimundo Monte Santo

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Se chorar beba a lágrima



Não chore meu amor meu amor
Não chore
Não chore meu amor não chore
A lágrima é a água da fruta que você chupou
A lágrima é a água da fruta que você chupou
A lágrima é a água da fruta que você chupou
E a lágrima é a água da fruta que você chupou
Não chore meu amor
Não chore
A lágrima é a água da fruta que você chupou
É, a lágrima é a água da fruta que você chupou
Não chore meu amor
Não chore
Não chore meu amor
Não chore
Faz como o risonho
Que só no intuito de desopilar do fígado virou palhaço

O circo pegou fogo e ele riu, rindo
E a mulher mal no hospital viveu morrendo de rir
Só porque risonho sabe que é um sonho
Não chore meu amor
Não chore
Porque é um sonho meu amor
Galvão e Pepeu



Nunca vi um processo relevante
Quanto a morte de um ser pequenino
É choro pra lá de equidistante
É vulto de alma em desatino
É lagrima no rosto da criança
Estampando a marca da esperança
É brilho de planeta distante
Onde vão os espíritos peregrinos

Victor Fidel