sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Mote


Sempre quis ser poeta de bancada
espalhar meu versar no mundo inteiro
publicar um cordel pela luzeiro
já seria uma honra abençoada
dividir com os mestres da empreitada
este sonho que tenho desde menino
sou nas trovas um ativo perigrino
aprendendo querendo ensinar
a riquesa da cultura popular
de um bravo feliz povo nordestino

Já mostrei meu cordel em faculdade
demonstrei a riquesa e o valor
pros alunos de nivel supeior
com meu versos mostrei minha identidade
então eles conheceram de verdade
umas rimas deste cabra trovador
lhes mostrei como faz um cantador
quando fala da sua terra e sua gente
eu falei do cordel e do repente
lá na sala eu me vi um professor

Difundir a cultura cordelista
eu encaro como forma de expressão
vou lutando pela preservação
enalteço esta classe de artista
vou expondo o meu ponto de vista
para que muitos possam compreender
não com a intenção de aparecer
mas estou aqui junto prá somar
e prá todos eu quero apresentar
esta arte tão rica do dizer

Trago aqui meu simples vocabulário
com o prazer de uma linguagem tão pura
sem fazer da gramática tortura
sem pensar explorar dicionário
tenho a rima colhida no imaginário
carregada de amor e inspiração
cada verso é o pulsar do coração
é um taco da veia que decola
relembrando meu tempo da escola
onde a rima virava uma canção

Gostaria de viver da minha arte
mas o fardo não é leve meu senhor
dizem que poeta não é trabalhador
é um andante, feito pedro malazarte
e por mais que alguem venha e descarte
eu não paro de falar de poesia
pois é isso que me dá a alegria
e mantem em mim uma chama acesa
mas eu creio na vitoria com certeza
neste mundo inda chegará meu dia

O respeito e a dignidade
o valor do que eu faço agora
tudo tem seu momento e sua hora
eu me pego nesta frase de verdade
não carrego nesse oficio a maldade
pois o sonho só depende de uma sorte
seja aqui, no nordeste ou lá no norte
minha luta será sempre guerreira
e a rima será flexa certeira
afiada feito uma faca de corte
Carlos Silva

As Pegadas do Amor


Nem um bode pra sangrar
Nem um bé
Uma cabra a espernear
Um baé
Um porquinho, um bezerrinho
Uma pomba, uma preá
Animal de sangue quente
Atacado a sangue frio
Só pra ver sangue jorrar
Nem um pouco de pesar
De pavor
Nem um cabra a me implorar
Por favor
Nem um corpo a estrebuchar
Ao tremor das minhas mãos
Nem uma marca de horror
No chão do meu coração
Só as pegadas do amor
Gilberto Gil

sábado, 15 de dezembro de 2007

Vaga-lume


Foto: Lindomar

Pirilampo Clareou
As Águas do Vaza Barris
Na Pedra o Bode Berrou
O índio Com Medo Fugiu
O Vaqueiro Que Chegou
UAUÁ Então Surgiu

Referência do Conselheiro
Passagem de Lampião
A Coluna Revoltosa
A Seca, A Devoção
UAUÁ é Um Amor
UAUÁ é Coração

Símbolo de Resistência
De Cultura e Tradição
Árvore Santa Umbuzeiro
É Caatinga, É Sertão
Sua Fé Inabalável
No Profeta São João

BGG da Mata Virgem
Poeta Popular

Abaixo Assinado da Pedra do Bendegó


A Estrela do Oriente
Soltando Raios de Luz
Conduziu os Três Reis Magos
A Presença de Jesus
Que Nasceu na Manjedoura
E Morreu em uma Cruz


A PEDRA DO BENDEGÓ
Foi o Aviso Primeiro
Da Chegada do Profeta
Bom Jesus Meu Conselheiro
A Pedra Caiu na Fazenda
De João da Mota Botelho


Levaram o Meteorito
Para o Rio de Janeiro
Desrespeitando a História
E o Povo do Conselheiro
Queremos a Pedra de Volta
Exige os Catingueiros


Excelentíssimo Presidente
Faça a Autorização
Pro Mode a Pedra Voltar
Este Ano Pro Sertão
Se a Pedra Demorar
Vai Ser Grande a Confusão

Todos Que Assinaram
São Cidadãos Brasileiros
Tem Gente do Litoral
Do Sertão Bravos Vaqueiros
As Comunidades e o Povo
Os Sem Terras e o Bodeiro

BGG da Mata Virgem
Poeta Popular
Uauá – Bahia - Brasil

Octavio Paz




Retórica ( Octavio Paz - 1944 ) :
Cantan los pájaros, cantan sin saber lo que cantan: Todo su entendimiento es su garganta.

Arte poética

Ama tu verso, y ama sabiamente tu vida,
la estrofa que más vive, siempre es la mas vivida.
Un mal verso supera la más perfecta prosa,
aunque en prosa y en verso digas la misma cosa.
Así como el exceso de virtud hace el vicio,
el exceso de arte llega a ser artificio.
Escribe de tal modo que te entienda la gente,
igual si es ignorante que si es indiferente.
Cumple la ley suprema de desdeñarlas todas,
sobre el cuerpo desnudo no envejecen las modas.
Y sobre todo, en arte y vida, sé diverso,
pues sólo así tu mente revivirá en tu verso.
JOSÉ ÁNGEL BUESA

sábado, 8 de dezembro de 2007

E então que quereis...?


Fiz ranger as folhas de jornal
Abrindo-lhes as pálpebras piscantes
E logo de cada fronteira distante subiu um cheiro de pólvora
Perseguindo-me até em casa
Nesses últimos vinte anos nada de novo há
No rugir das tempestades
Não estamos alegres, é certo
Mas por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, havemos de atravessá-las
Rompê-las ao meio, cortando-as
Como uma quilha corta as ondas
Maiakovski

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Surreal


Imagem de Davidho

Eu pisei no pé do vento
Fechei a boca da noite
Bati no relâmpo de açoite
E quebrei o firmamento

No cordão umbilical
Fiz crochê, macarronada
Trançei rasta, tripa assada
E sumi no surreal

Dei a volta matinal
Costurei a simetria
Na barriga só alegria
Eu comi um canibal

Fidel